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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Juliane Penteado: O que muda para os servidores públicos com a Lei do Descongela?

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A pandemia de Covid-19 provocou uma série de medidas excepcionais no Brasil, especialmente na área fiscal. Entre elas, a Lei Complementar nº 173/2020, que instituiu o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus, trouxe restrições temporárias aos gastos com pessoal como contrapartida ao auxílio financeiro concedido pela União a estados e municípios.

Uma dessas restrições foi o congelamento da contagem do tempo de serviço dos servidores públicos entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021 para fins de progressões e vantagens funcionais. Embora os servidores tenham continuado exercendo suas funções muitos, inclusive, em atividades essenciais —, esse período não era considerado para aquisição de direitos como anuênios, triênios, quinquênios, sexta-parte e licença-prêmio.

Com a sanção da Lei Complementar nº 226/2026, conhecida como Lei do Descongela, esse cenário começa a ser revertido.

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Leandro Provenzano: O Fim das Obras Inacabadas?

O Seguro que Pode Blindar o Dinheiro do Contribuinte e do Consumidor

22/01/2026 00h05

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto; Montagem / Correio do Estado

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Imagine a cena: uma manhã ensolarada, máquinas paradas, canteiro de obras vazio e o mato começando a tomar conta de uma estrutura de concreto que deveria ser um hospital, uma escola ou o condomínio onde você planejou morar. Esse cenário, infelizmente comum no Brasil, não é apenas um problema de engenharia ou um dreno de dinheiro público; é um trauma social que destrói sonhos e desrespeita o cidadão. Mas existe uma ferramenta capaz de impedir que esse "esqueleto" de concreto permaneça ali por décadas: o Seguro Garantia de Obra, ou Performance Bond.

O Que é Esse "Seguro de Performance"?

Imagine o Seguro Garantia como um "fiador profissional" de alta competência. Quando uma empresa vence uma licitação ou é contratada para uma incorporação imobiliária, ela apresenta uma apólice de seguro. Se a construtora falhar, parar a obra ou enfrentar um colapso financeiro, a seguradora assume a responsabilidade.

Diferente de um seguro comum, onde se recebe apenas uma indenização em dinheiro, no Seguro Garantia, a seguradora tem o dever de garantir a conclusão da obra. Ela não entrega apenas um cheque; ela entrega a chave na mão.

Seu uso nas Licitações Públicas

Para o Estado, o Seguro Garantia é revolucionário. Com a Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/21), o governo ganhou um aliado técnico. Quando uma seguradora garante uma obra pública, ela faz um rigoroso "filtro de qualidade". Ela só aceita garantir empresas que realmente têm saúde financeira e capacidade técnica para concluir a obra pela qual foi contratada.

As vantagens são triplas: o Governo ganha eficiência privada para fiscalizar cronogramas; as Empresas não precisam "congelar" seu capital de giro em cauções bancárias; e o Cidadão recebe a segurança de que a obra pública prometida será entregue, independentemente de crises políticas ou financeiras da empresa executora. É a eficiência servindo ao interesse público.

O Drama Real: A lição que o brasil insiste em não aprender

Historicamente, o Brasil é um cemitério de obras inacabadas. Não precisamos ir longe na memória para lembrar de gigantes da construção civil que, do dia para a noite, ruíram financeiramente. O resultado? Canteiros abandonados e centenas de famílias que investiram as economias de uma vida inteira em imóveis que nunca receberam. Famílias que continuam pagando aluguel enquanto veem o sonho da casa própria se transformar em uma estrutura de ferro enferrujada.

É aqui que o Seguro Garantia deixa de ser um detalhe técnico para se tornar uma necessidade. Consumidores e, principalmente, corretores de imóveis — que são os primeiros consultores de quem compra — devem passar a exigir a contratação deste seguro.

No momento da venda, a pergunta "Este empreendimento possui Seguro Garantia de entrega?" deve ser tão comum quanto perguntar o valor do condomínio.

Credibilidade Não é Imunidade

Um erro comum é acreditar que construtoras de grande porte, com décadas de mercado e credibilidade inabalável, estão imunes a problemas. A história nos mostra o contrário: o mercado é volátil e até as empresas mais sólidas podem enfrentar reveses imprevistos, crises de liquidez ou mudanças macroeconômicas drásticas. Ter esse seguro não é uma desconfiança contra a construtora, mas uma garantia para todos os envolvidos.

O Seguro Garantia é a diferença entre o prejuízo total e a continuidade da vida. Ele garante que, mesmo diante do pior cenário para a empresa, o melhor cenário para o comprador — a entrega das chaves — seja preservado.

No fim do dia, o Seguro Garantia não trata apenas de números e apólices; trata de honrar promessas. Em um país que ainda sofre com o fantasma de obras paralisadas, entender e exigir essa proteção é o único caminho para um desenvolvimento imobiliário maduro e verdadeiramente seguro.

Afinal, em uma sociedade que planeja o futuro, uma obra inacabada não é apenas um atraso no cronograma — é uma cicatriz na cidade e uma ferida aberta na dignidade de quem pagou por um lar e recebeu apenas entulho.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Juliane Penteado: Novo slário mínimo 2026 impactos no INSS, contribuições e previdência

16/01/2026 00h05

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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Desde de 1º de janeiro de 2026, o governo federal do Brasil fixou o salário mínimo em R$ 1.621,00 para o ano de 2026, um aumento de R$ 103,00 (aproximadamente 6,8 %) em relação a 2025. Esse valor é reajustado anualmente com base na inflação (INPC) e em fatores da economia, dentro dos limites do arcabouço fiscal brasileiro.

O que é o salário mínimo e sua importância social

O salário mínimo é o piso legal de remuneração mensal que um trabalhador deve receber por sua jornada de trabalho. Ele tem efeitos em diversos direitos trabalhistas e previdenciários no Brasil, servindo de referência para:

  • benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS);

  • piso para cálculo de abonos como PIS/Pasep;

  • limites de pensões e valores processuais (RPV e precatórios).

Contribuições ao INSS e novos valores referentes ao salário mínimo

Para entender os reflexos do novo salário mínimo nas contribuições previdenciárias, é importante lembrar que o INSS calcula as alíquotas com base na remuneração do segurado e em faixas salariais progressivas. Embora a Lei nº 8.212/1991 e o Decreto nº 3.048/1999 estabeleçam as regras gerais para contribuições previdenciárias, anualmente essas tabelas podem ser atualizadas com base no salário mínimo e em portarias específicas.

Faixas de contribuição para empregados

De acordo com a sistemática de contribuição vigente e que é atualizada considerando faixas vinculadas ao salário mínimo:

Faixa salarial para contribuição

Alíquota (aproximada)

até 1.621,00

7,5%

de 1.621,01 até 2.902,84

9%

de 2.902,85 até 4.354,27

12%

de R$ 4.354,27 até teto

14 %

Contribuição de trabalhadores que recebem pelo mínimo

O trabalhador que recebe um salário mínimo paga a contribuição de 7,5 % sobre o salário bruto. Assim, com o novo valor de R$ 1.621:

  • INSS descontado do empregado (7,5 %): ~R$ 121,58 (estimado, podendo variar conforme regras oficiais de contribuição)

  • Salário líquido estimado após INSS: ~R$ 1.499,42 (aproximado e sem considerar outros descontos).

Contribuição do MEI e códigos de pagamento

O Microempreendedor Individual (MEI) também contribui para o INSS com base em percentual do salário mínimo:

  • Contribuição previdenciária do MEI tradicional permanece em 5 % do salário mínimo.

  • Para 2026, 5 % de R$ 1.621 = R$ 81,05. Isso é pago junto ao DAS-MEI mensal.

Além da previdência, o DAS-MEI inclui valores fixos referentes a tributos como ICMS e ISS, dependendo da atividade.

Códigos de pagamento do INSS

Os códigos de pagamento de encargos previdenciários para recolhimento variam conforme o tipo de contribuinte. Alguns exemplos comuns usados na GPS (Guia da Previdência Social) são:

Tipo de contribuinte

Código de Pagamento

Empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso

Código 1007

Contribuinte individual

Código 1163

Contribuinte facultativo (plano normal)

Código 1164

MEI (DAS-MEI)

Código específico no DAS (não usa GPS tradicional)

Esses códigos são definidos pela Receita Federal e constam em instruções normativas da RFB e do INSS. A cada ano podem sofrer ajustes conforme regulamentações específicas da autoridade tributária.

Impactos nos salários previdenciários

Benefícios que serão ajustados automaticamente

Vários benefícios do INSS são referenciados diretamente ao salário mínimo, incluindo:

  • aposentadorias com valor mínimo (beneficiários que recebem exatamente um salário mínimo);

  • pensões por morte (se vinculadas ao salário mínimo);

  • auxílios-doença e auxílios acidentários que tenham valor mínimo;

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) – que tem base um salário mínimo.

Assim, todos esses benefícios passam a ter o valor básico de R$ 1.621,00 a partir dos pagamentos de 2026.

Benefícios acima do mínimo e reajustes pelo INPC

Para segurados que recebem benefícios acima de um salário mínimo, o reajuste segue o INPC acumulado no período (aproximadamente 4,18 % até novembro de 2025), aplicado sobre o valor de cada benefício, conforme regra do reajuste anual.

Teto do INSS

O teto da previdência social é o valor máximo sobre o qual se aplicam as contribuições e se calcula o valor máximo de benefícios. Ele é atualizado anualmente pelo governo com base em índices oficiais de inflação e critérios legais (geralmente pelo INPC ou outro índice definido em portaria).

Em 2026, o teto máximo dos benefícios pagos pelo INSS foi ajustado para R$ 8.475,55. Esse reajuste também se aplica a outros auxílios especiais previstos em lei.

Esse reajuste impacta a economia de milhões de brasileiros, impactando desde o orçamento familiar até o gasto público federal com benefícios sociais e previdenciários.

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