Opinião

PVC

Palmeiras foi vítima de sua maratona emocional

Paulo Vinícius de Mello Coelho, também conhecido como PVC, é um jornalista esportivo brasileiro.

Palmeiras foi vítima de sua maratona emocional

A quinta eliminação de representante sul-americano em semifinal de Mundial de Clubes pode ter sido uma das mais doloridas, mas certamente não a mais vexatória.

O Palmeiras viveu maratona física e emocional por 31 dias. De 30 de dezembro a 30 de janeiro, disputou dez partidas, quatro de mata-mata, três clássicos seguidos.

Estreou no Mundial oito dias depois de vencer a Libertadores, esgotado. E enfrentou adversário forte, quatro vezes campeão mexicano e uma vez continental nos últimos cinco anos. O mundo sabia que seria muito difícil.

Verdade também que o Palmeiras tem questões táticas para aprimorar, que Marcos Rocha deu espaço de sobra às suas costas e Luan cometeu pênalti tolo.

A eliminação não deve tirar a alegria da conquista da Libertadores, apesar da frustração evidente.

Contra o Tigres, sabia-se da força de Gignac como centroavante. O técnico brasileiro naturalizado mexicano Tuca Ferretti acrescentou o paraguaio Carlos González à grande área. 

Foi sua a cabeçada aos três minutos, que obrigou cedo Weverton a espalmar para escanteio.

Também foi de González o giro sobre Luan, em que o brasileiro cometeu pênalti.

Marcos Rocha sofreu muito para marcar o colombiano Luis Quiñones.

Além disso, apareceu a dificuldade recente de o Palmeiras manter a bola sob seu domínio, no campo de ataque. Gabriel Menino jogou menos do que pode, Danilo e Zé Rafael erraram passes fáceis, mas o principal problema foi a ausência de desarmes na intermediária.

Nos melhores jogos com Abel Ferreira, o Palmeiras pressionou o homem da saída de bola na intermediária, desarmou e usou a velocidade a seu favor.
Contra o Tigres, o Palmeiras roubou apenas uma vez na altura do meio de campo.

Também pela qualidade de saída de jogo dos mexicanos, com Rafael Carioca e Guido Pizarro controlando o primeiro passe e distribuindo para os lados do campo, especialmente para Quiñones ganhar o duelo com Marcos Rocha.

Não existem aqui heróis ou vilões. Existe um time campeão da Libertadores e escalado oito dias depois para sua maior decisão em 21 anos. 

O ano da pandemia, da diminuição de 25% da folha de pagamento, do lançamento de 12 jogadores da base pela primeira vez na história do clube. Tudo isso aumentou o peso nas costas.

Taticamente, o Palmeiras tem trabalho excelente de Abel para ser mantido por mais um ano. Com mais fôlego, a marcação em bloco médio, a velocidade, a mescla com jogo de mais posse de bola dará mais resultados.

O amadurecimento dessa geração também fará um time mais forte. E, principalmente, um calendário mais racional, em que não se jogue dez vezes no intervalo de 31 dias antes de chegar ao Mundial, poderá fazer voltar a ter chance de conquistar o título dos sonhos.

Também não se perca de vista que, depois da Sentença Bosman, o Mundial ficou completamente desigual.

Até 1995, eram 19 troféus da América contra 14 da Europa. Depois disso, nos Mundiais oficiais da Fifa, são 12 troféus da Europa e 4 sul-americanos.

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O PASSAPORTE

O São Paulo pensa em técnico português, talvez argentino, ainda não projetou brasileiro. Pode sofrer pelo preço. 

Esteve perto de Miguel Ángel Ramírez, com compromisso com o Inter. Mas não pode se esquecer que a mudança tem de ser do clube, não só do técnico.

*

NEM TODO DIA

O Liverpool cai de produção e se distancia do bicampeonato inglês. Sinal de que nem Jürgen Klopp consegue sucesso todo dia. 

Guardiola não ganhou o título do ano passado, mas melhorou sua equipe, que saiu da 13ª colocação para a liderança.

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