Durante a pandemia do coronavírus, o que mais se vê nas redes sociais são reclamações sobre a qualidade do sono. Estresse, ansiedade e alta quantidade de trabalho podem influenciar diretamente no descanso. Mas, de acordo com especialistas, a prática de exercício físico pode trazer benefícios importantes, inclusive a regulação do sono.
De acordo com o professor da Uniderp e doutor em educação física, Flavio Conche, o corpo trabalha como uma gangorra, que conforme o estímulo que recebe, também provoca um relaxamento na mesma proporção.
“A primeira coisa que você tem que entender é que o nosso corpo funciona como gangorra, ele sempre vai tentar manter um equilíbrio, denominado de homeostase, que é o equilíbrio das funções fisiológicas e metabólicas do corpo. Por que o exercício vai auxiliar no sono? Porque quando a gente faz o exercício, a gente estimula nosso metabolismo, ali você percebe que a gangorra começa a subir para um lado só, para o lado da excitação. A gente ativa o nosso sistema nervoso sintático, produzindo alguns neurotransmissores chamados adrenérgicos, que são substâncias formadas dentro dos nossos neurônios que servem para estimular, como a noradrenalina”, explica Flávio.
Como o corpo sempre busca o equilíbrio, é natural que após os exercícios físicos, ocorra um relaxamento. “Quando você para de fazer um exercício, a gangorra da excitação diminui e a gangorra do relaxamento vai subir, vai elevar, então ali eu vou produzir outros neurotransmissores, outras substâncias, como serotonina, endorfina, que vai fazer que meu corpo descanse e relaxe”, frisa.
Flávio ressalta que quando o ser humano não realiza exercícios físicos, não existe esse período de compensação. “Se eu não subo a gangorra do estímulo, eu não vou tentar compensar subindo a parte do relaxamento, fica tudo reto, tudo igual. Nisso que mantém a falta de sono das pessoas, que elas não dormem, ficam ansiosas, quando eu não estímulo a circulação sanguínea, não oxigeno meu cérebro, torna a pessoa mais ansiosa, aumenta índice de depressão, basicamente, resumindo, seria isso”, ressalta.
Horário do treino
Segundo o especialista, o horário não influencia necessariamente no sono. “Pode ser que prejudique um pouco seu sono. Mas, nem todas as pessoas respondem dessa forma, eu mesmo tinha p hábito de treinar as 22h, ia para casa, tomava um banho e dormia como uma criança”, explica.
Outro ponto importante é que o sono também auxilia no treino. “Durante o sono, eu tenho uma maior produção de um hormônio chamado GH, hormônio do crescimento. Esse hormônio durante a infância ele auxilia para o crescimento das estruturas ósseas, mas depois da infância e na fase adulta, esse hormônio auxilia tanto na formação de massa muscular, promovendo a síntese proteica, o músculo é feito de proteína, então se ele cria proteína, ele cria músculo”, pontua.
Outro benefício do GH é na lipólise. “Que é a quebra da gordura para produzir energia, se eu quebro a gordura e produzo energia, eu tenho emagrecimento, perda de gordura corporal. Eu vou ter em dois momentos do meu dia esse pico de liberação do GH, o primeiro é durante a prática do exercício, só que a maior quantidade é liberada durante o sono e no sono profundo”, frisa.