O presidente da Federação Croata é Davor Suker, o mesmo goleador do Real Madrid e artilheiro da Copa do Mundo de 1998.
Ao falar sobre o duelo desta segunda (28), contra a Espanha, afirmou lembrar-se com prazer de vê-la jogar o tiki-taka, para ser bicampeã da Europa e vencedora do Mundial de 2010. Mas, na sua opinião, o futebol muda a cada dez anos.
"Tenho certeza de que, daqui a uma década, voltaremos a ver o jogo de troca de passes, com mais rapidez e jogadores correndo quinze quilômetros por partida."
A entrevista ao El País deixa clara a ideia de Suker de que a Croácia pode vencer a Espanha com menos posse de bola. A estatística desta Euro confirma isso.
Das primeiras 40 partidas, 17 foram vencidas por quem tentou controlar o rival pela troca de passes e 15 por quem teve menos tempo com a bola. Somados os empates, 58% não foram vencidos por quem preferiu a posse.
Na Copa da Rússia, a França já se mostrou diferente do que a Espanha fazia há uma década. Quatro de suas seis vitórias tiveram menos posse de bola que o adversário.
Não é uma receita certeira. O Brasil é o recordista de passes da Copa América e apresenta o melhor rendimento, a Itália ganhou todas as suas partidas com mais de 50% do tempo com bola no pé e o treinador de Portugal, Fernando Santos, avisou que não poderia permitir à Bélgica o controle que permitiu à Alemanha.
Com mais posse, Portugal perdeu dos belgas, e foi triturado pela Alemanha sem nem ver a bola. Suker tem razão num ponto: o jogo mudou nos últimos dez anos.
Na época da Copa da África do Sul, o exemplo de qualidade era o Barcelona. A Espanha imitou-o e foi campeã, mas, sem Messi, teve o ataque campeão com menos gols em todas as Copas.
A Euro mostra jogos disputados em quinze metros. Quando a Bélgica atacava, Portugal defendia com dez homens entre a risca da área e a intermediária. O inverso acontecia quando os portugueses avançavam.
"O futebol está parecido com o handebol", exagera o técnico do Ceará, Guto Ferreira. Refere-se ao fato de que, quando um time chega à frente, o outro monta um paredão. No caso do handebol, uma linha de seis.
A Euro mostra uma linha de quatro na defesa e outra de cinco dos meias –ou o inverso.
Está diferente, porque está cada vez mais difícil achar espaço. Isso faz com que a maior novidade seja ver times com linha de cinco atacantes, para matar a sobra e fazer superioridade numérica perto da área rival.
Não é exatamente uma notícia da Euro. Manchester City, Chelsea, Leipzig, Flamengo e Palmeiras fazem o mesmo. O problema é que, por vezes, isso aumenta a dificuldade, porque aumenta o congestionamento, com até quinze jogadores em quinze metros. Não é fácil driblar no espaço de um guardanapo.
A Itália precisou da prorrogação para vencer a Áustria, a Holanda perdeu para a República Tcheca, a Espanha teve dificuldade para marcar contra Suécia e Polônia.
Hoje é dia de a Espanha tentar mostrar que pode jogar à base da troca de passes e vencer times montados na defesa. Não será surpresa se sofrer para bater a Croácia.
O gramado
A campanha de Tite pelo cuidado com os gramados do Brasil ganhou um ingrediente extra em Caxias do Sul. O Juventude investiu na melhora de seu campo, mas a chuva deixou-o sem condição de realizar partidas. Uma poça d'água deu o gol a Matheus Peixoto contra o Flamengo. Não pode.
DEVAGAR
O empate contra o Fluminense mostra o Corinthians melhorando, mas timidamente. Mais firme na defesa, muito lento no ataque, depende de Mosquito pela direita. É muito pouco. Talvez seja suficiente para morar no bloco intermediário do Campeonato Brasileiro.