Opinião

Economia

A Economia realmente é determinante para ganhar ou perder uma eleição?

Confira a coluna do economista Michel Constantino desta terça-feira

Thais Libni

31/08/2021 - 00h03

Volta e meia vem esse assunto à tona: - a situação da economia e do bem-estar da população é quem determina uma eleição? 

De forma ampla, e de acordo com o conceito real do que é uma economia, ou seja, a administração do país, eu concordo com essa premissa para as eleições, e, é um forte determinante para o candidato que está ocupando o cargo de administrador do país. 

Mas, resolvi escrever esse texto hoje trazendo uma reflexão do que é uma economia “boa” ou “ruim” que pode determinar uma eleição. 

A economia é uma ciência social aplicada, que tem resultados dinâmicos, transitórios e na maioria das vezes é acompanhada de expectativas da sociedade. 

A economia de um país é complexa e depende de movimentos externos, internos e comportamentais para que os efeitos positivos ou negativos sejam sentidos por todos. 

Então, temos um grande paradoxo, de um lado setores produtivos em grande desenvolvimento e alta aplicação de investimentos e recordes de produtividade. Por outro lado, temos preços de itens da cesta básica e bens de consumo que estão cada vez mais caros e inviáveis para o consumidor mediano e de baixa renda.

É possível uma economia com todos os indicadores positivos? Com alto nível de desenvolvimento, investimentos estrangeiros, oportunidade para todos, altos salários, alto consumo, baixos preços e ainda um equilíbrio entre oferta e demanda de produtos? 

Existem países próximos disso, com uma economia sustentável e pleno emprego, mas, são exceções e esses estão no grupo de países desenvolvidos. 

O Brasil é uma economia em desenvolvimento, com alta desigualdade, país com baixo grau de abertura comercial, com taxas de educação ruins e poucas oportunidades para os jovens. Neste país, seria realmente muito difícil encontrar uma economia em pleno crescimento e com alto nível de bem-estar da sociedade. 

Com a pandemia, esses problemas da gestão da saúde, da economia, do mercado de trabalho, da educação e da segurança foram ainda mais expostos.

A previsão da queda econômica do país era maior do que realmente foi, tivemos resultado bem positivo ao comparar com outros países semelhantes. 

Conseguimos manter o processo produtivo e o agronegócio cresceu ainda mais, algumas reformas e medidas importantes foram votadas e aprovadas no congresso, o país enxergou muitos “invisíveis” e os integrou ao sistema digital, estamos caminhando para uma melhor infraestrutura logística e voltando com ferrovias, acabamos criando soluções emergentes para essa crise maldita. 

Mas, a quem olhe que deveríamos ser uma Suíça, ou uma Austrália, com resultados ainda melhores, e analisam o país hoje com se no passado fomos melhores, eu não me lembro. Hoje estamos lutando para manter uma democracia mais livre e que a livre iniciativa e os direitos individuais sejam respeitados. Então podemos enxergar o país de duas formas:

Um país que tenta afirmar sua democracia/liberdade e está se fortalecendo com política econômica mais liberal que terão efeitos positivos no futuro; ou

Um país que quer voltar às políticas assistencialistas que garantem voto e um caminho mais perto do socialismo: os donos do poder mandam e os demais trabalham para seu mandante.

A economia depende das escolhas de cada um, e principalmente das escolhas de quem dirige o país, o direito é nosso em escolher qual caminho queremos: uma economia baseada no estado como planejador central ou uma economia baseada na inovação e na livre iniciativa. 

Essas escolhas econômicas vão permear os determinantes da eleição.

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