Opinião

Cláudio Humberto

"Nem horror, nem terror, o Brasil precisa de gestor"

João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e o morte da chamada "terceira via"

Gabrielle Tavares

10/09/2021 - 07h46

Recuo de Bolsonaro esvazia crise institucional

Do tipo que consulta apenas os próprios botões, o presidente Jair Bolsonaro percebeu no dia seguinte que se excedera nos discursos desastrosos de 7 de Setembro. 

Aquilo ficou martelando na consciência até que pegou o telefone, pelas 23h de quarta (8), logo ele, que dorme cedo, e recorreu outra vez a um dos poucos políticos que respeita: Michel Temer. 

Ali começou a nascer a “Declaração à Nação” que apagou o fogo na Praça dos Três Poderes e esvaziou a crise institucional.

Almoço histórico

Nesta quinta (9), logo cedo, Bolsonaro voltou a ligar a Temer e o convidou para almoçar: “Vou mandar um avião da FAB te buscar”.

Minuta na mão

Político habilidoso, mestre do relacionamento e avesso a confrontos, o ex-presidente já desembarcou em Brasília com a minuta da “Declaração”.

O outro lado

Temer também ligou a seu ex-ministro da Justiça e ouviu de Alexandre de Moraes que suas decisões nada têm de “pessoal” contra Bolsonaro.

Últimas notícias

A bola murchou

O texto representou a reversão total de expectativas e até fez parecer as reações no STF e TSE tão excessivas quanto seus discursos do Dia 7.

Brasil imunizou 70 milhões de pessoas totalmente

O Brasil ultrapassou nesta quinta-feira (9) a marca de 70 milhões de pessoas completamente imunizadas contra a Covid, com duas doses ou com o imunizante de dose única. 

O grupo representa quase 45% dos adultos do País, que são o público-alvo do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. No total, já foram administradas quase 207 milhões de doses das 234 milhões distribuídas.

Pormenorizado

Mais de 141 milhões de brasileiros receberam ao menos uma dose, dos quais 65,5 milhões receberam duas doses e 4,7 milhões, a dose única.

Estados à frente

O estado de São Paulo aplicou uma dose em 78% da população, o Mato Grosso do Sul, em 73,6%; e o Rio Grande do Sul, em 70,2%.

Estados atrás

Todos os estados já aplicaram uma vacina em mais de 50% da população, menos Amapá (49,6%), Pará (48%) e Roraima (47,9%).

Pacificação necessária

Quando telefonou a Temer, na noite de quarta (8), Bolsonaro ouviu que era necessário “pacificar o País”. Na sequência, o presidente gravou uma mensagem aos caminhoneiros pedindo o fim da greve.

O ‘publique-se’

Após longa conversa com Temer, o presidente Bolsonaro pediu tempo para fazer alguma alteração na minuta que lhe foi entregue, mas quase não mexeu no texto. Com seu teor vazado, ele ordenou: “Publique-se”.

Visita ao amigo

Enquanto Bolsonaro refletia sobre a “Declaração à Nação”, o ex-presidente Michel Temer fez uma visita ao correligionário e amigo Ibaneis Rocha, governador do DF, por quem desenvolveu grande admiração.  

Quem chora

Enquanto a maioria adorou a nota pacificadora de Jair Bolsonaro, os que sonham com a cadeira presidencial apenas lamentaram. A iniciativa pode dificultar muito aqueles que integram a chamada “terceira via”, em 2022.

Recorde na Defesa

A indústria de Defesa brasileira bateu recorde nas exportações: apenas até agosto o setor registrou US$1,35 bilhão em vendas, maior resultado da História, e expectativa é de que atinja US$2 bilhões até o fim do ano.

Terceira real

Até pouco tempo considerada “fake news”, a aplicação de terceiras doses de vacinas cresceu esta semana, no Brasil. Cerca de 36,2 mil brasileiros já receberam a dose de reforço até esta quinta-feira (9).

Asas cortadas

No Código Eleitoral, que, na prática, limita a atuação da Justiça Eleitoral, o voto será senhor. Relatora, Margarete Coelho (PP-PI) disse ser preciso “resgatar o protagonismo popular nas escolhas de seus representantes.”

Notícia boa

Confirmando a tendência de queda devido ao sucesso da vacinação e aliada ao feriadão, a média de mortes por covid no Brasil caiu para 466, segundo o Conass. É a menor média diária desde 13 de novembro.

Pensando bem...

...conciliação rima com eleição.

PODER SEM PUDOR

Sargento Stephanes

Em 1958, Tenente Ribas, um oficial de Engenharia do Exército, era o subcomandante da 5ª Companhia, em Curitiba (PR), e descobriu que um dos recrutas tinha nível melhor que os demais: era aluno do segundo ano da Escola Técnica. 

Ficou curioso: por que ele não incorporou no CPOR? “Não tenho condições, senhor”, respondeu o recruta, filho de pequenos agricultores. 

Logo o rapaz foi promovido a sargento e ficou cinco anos na tropa. Era o sargento Reinhold Stephanes, que veio a ser deputado federal e ministro de Estado.

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