Opinião

Economia

O preço dos combustíveis pode subir mais?

Confira a coluna do economista Michel Constantino desta terça-feira

Thais Libni

05/10/2021 - 00h03

A resposta é curta e direta: sim. O mercado de combustíveis é essencial para a economia local, nacional e internacional. 

Com a pandemia, os preços no mundo todo foram impactados por fatores exógenos, e a falta de oferta de produtos e serviços, provocou um aumento generalizado nos combustíveis. 

Outrora tivemos aumentos generalizados de combustíveis, que pressionou presidentes da república a interferirem nas práticas de precificação da maior empresa de petróleo do Brasil, a Petrobrás.

Essa interferência acabou prejudicando todo o mercado, principalmente a empresa, que viu seus investidores venderem seus ativos, suas ações despencarem, uma multa internacional por práticas antimercado e um prejuízo nunca visto numa empresa monopolista.

O cenário atual é um desafio, os preços subiram em todo mundo, efeito da falta de oferta e declínio da produção pelas restrições impostas pela pandemia. 

Com o dólar em alta e a incerteza sobre a produção dos barris de petróleo, os preços dos barris sobem e a precificação de toda cadeia de combustíveis é afetada, fazendo um efeito multiplicador nos preços. 

Países como os EUA que tinham deflação uma inflação próxima de zero, hoje convive com altas de combustíveis, alimentos e itens de produção agropecuária. 

No Brasil, temos a alternativa do Etanol, porém, também teve seus preços elevados pela alta demanda, a pouca oferta e a influência da moeda americana nas negociações internacionais de venda de açúcar. 

Na prática, com aumento da gasolina, os consumidores procuram o Etanol e ainda procuram alternativas interessantes como o gás GNV. A demanda por GNV sobe, porém, há uma limitação da oferta do produto e há investimentos no veículo que devem ser realizadas.

O governo federal deveria intervir na forma de precificação da Petrobrás?

Como eu disse no segundo parágrafo deste texto, que já fizeram essa interferência e os resultados foram os piores possíveis. 

A teoria econômica é bem intuitiva neste caso, a dinâmica da demanda e oferta de produtos e serviços são equilibradas com preço, e esse preço deve ser dado pelo mercado, dado pelo comportamento de compra das pessoas e empresas. 

Mas como podemos fazer para baratear os preços dos combustíveis?

No curto prazo é um grande desafio, somente com redução de impostos ou redução de custos de transação poderíamos encontrar formas de diminuir o preço ou pelo menos manter os preços atuais, porém, ainda assim, não é possível afirmar essa redução, pois, os preços são livres e reduções de impostos em algum momento pode não ser repassada por algum agente da cadeia de abastecimento.

A forma de baratear os preços é só uma: aumentando a concorrência e incentivando empresas e cientistas a criarem tecnologias mais baratas e escaláveis, porém, essa dinâmica é a longo prazo, então, volto à frase inicial, a tendência é acontecer mais aumentos dos preços dos combustíveis. 

Enquanto isso, nós consumidores e principalmente quem utiliza veículos para trabalhar e rodam muitos quilômetros diários tenta achar alternativas, como por exemplo o GNV. 

É importante destacar que a economia funciona entre dois fundamentos, a demanda e a oferta, como a oferta de GNV no mundo, e principalmente no Brasil é limitada, o aumento da demanda por GNV vai pressionar os preços no futuro, e isso já aconteceu no passado, fazendo com que essa tecnologia seja vista como investimento complementar, para se ter três possibilidades de combustíveis no mesmo veículo.

A pandemia realmente tem apresentado vários desafios para todos nós, são momentos de reorganização do comportamento de consumo e gestão melhor dos recursos escassos. 

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