Opinião

Economia

O problema não é o endividamento: é a modalidade da dívida

Confira a coluna do economista Michel Constantino desta terça-feira

Thais Libni

19/10/2021 - 00h03

Na semana passada meu texto da coluna de economia para o Correio do Estado descreveu sobre a dificuldade de algumas pessoas em assumir as rédeas das suas finanças e promover uma mudança no seu relacionamento com o dinheiro e planejamento financeiro. 

Essas pessoas, muitas pessoas no Brasil, aproximadamente 60% têm algum tipo de dívida, e esse número assusta, pois são milhares de famílias que estão na estatística de endividamento.

Isso é um problema? 

O número de pessoas e o tamanho da dívida não é problema, no mundo, e se pegarmos especificamente países como os Estados Unidos, o número de endividados é maior e o tamanho da dívida também é maior que a média dos brasileiros. 

O problema é que, em algumas modalidades de dívida no Brasil, por exemplo cheque especial, cartão de crédito, créditos rotativos e financiamentos a taxa de juros é muito alta, e isso, compromete o devedor e é um desafio sair dessa situação, ficando muitos anos preso nesse tipo de dívida e com dificuldade para quitar ou reduzir o endividamento. 

Fazer uma dívida que esteja dentro do orçamento da família, que tenha juros baixos, ou juros zero, como é o caso de um financiamento de uma parte do veículo a taxa zero, ou ainda, comprar parcelado no cartão crédito se não tinha desconto a vista, e, as parcelas desse cartão são pagas no vencimento não gerando juros, é uma boa estratégia de endividamento inteligente.

Endividar é uma questão de planejamento e uso inteligente do seu crédito, de forma que possa estrategicamente pensar no futuro e organizar seu orçamento dentro das expectativas de consumo e controle do dinheiro. 

As taxas de juros no Brasil são altas, por várias razões, risco, instabilidade econômica, concentração bancária, compulsório dos bancos ao BC, perfil dos endividados e os custos de transação. 

Sendo altas, devemos planejar melhor nosso consumo, usar o crédito de forma estratégica e pensar “10” vezes antes de fazer uma dívida de longo prazo, pois, os juros de empréstimos são compostos e o efeito multiplicador faz com que a dívida aumente de forma exponencial.

Estamos acompanhando o crescimento de banco digitais, conhecidos como “fintechs” que, aos poucos vem aumentando a concorrência com os grandes bancos, e isso é muito bom, pois, aumentando a oferta de crédito a tendência são as taxas de juros diminuírem, além de termos mais possibilidades de crédito no país. 

Essas escolhas de endividamento, o maior controle das suas finanças pessoais e da família, um bom planejamento do consumo e da aquisição de bens, vai te trazer mais tranquilidade no futuro. 

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