José Roberto Lamacchia é o dono da Crefisa e decidiu que não emprestará nem mais um centavo ao Palmeiras. Ele acabou de renovar o contrato de patrocínio e o cumprirá rigorosamente.
Mas o empréstimo que alcançou R$ 170 milhões para compras de jogadores produziu multa de R$ 30 milhões da Receita Federal e análises de que haverá conflito de interesses quando Leila Pereira for presidente do Palmeiras.
Isso gera descontentamento em Lamacchia. "Eu me arrependi", diz. Haverá conflito de interesses, é o que pensa esta coluna. O dono da Crefisa discorda.
Garante que Leila fará a gestão mais transparente que já se viu e não julga haver comprometimento da relação, porque a renovação do contrato de patrocínio já está assinada.
O Palmeiras ainda deve R$ 160 milhões à Crefisa –R$ 130 milhões segundo Lamacchia– por causa dos aportes para compras de jogadores, antes cadastrados como propriedades de marketing, mas transformados em empréstimos depois da multa da Receita Federal.
"Sempre foi empréstimo e o que pagamos em um ano ao Palmeiras dá para pagar tudo", afirma o dono da empresa. "Já colocamos mais de R$ 1 bilhão no clube, entre patrocínios e prêmios."
Esta coluna dará crédito a Lamacchia e Leila Pereira para entender a administração. Boa sorte.
As gestões de clubes brasileiros produzirão outros debates. América-MG, Botafogo e Cruzeiro procuram sócios no mercado internacional. Os mineiros têm um pré-contrato assinado com investidores dos EUA, uma minuta que leva em conta os riscos, como o que afetou o Belenenses, em Portugal.
"Estudamos muito bem o caso", conta Marcos Sallum, ex-presidente e conselheiro do América.
O Belenenses está na quarta divisão, enquanto o Belenenses SAD disputa a Liga Portuguesa. SAD significa Sociedade Anônima Desportiva.
A modalidade jurídica ajudou a melhorar o futebol português, campeão europeu em 2016. Mas a falta de atenção permitiu um litígio entre o clube de Lisboa e os empresários que se associaram ao Belenenses, para criar a SAD.
O clube, campeão nacional de 1946 precisou recomeçar dos torneios distritais e atualmente está na Quarta Divisão.
Enquanto isso, o Belenenses SAD segue na elite, sem poder jogar no estádio do Restelo nem usar o escudo do tradicional time do bairro do Belém, de onde partiam as caravelas.
No Brasil, a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) será uma conquista e pode transformar o Brasileiro. Mas é preciso se lembrar de que não existe milagre e muito menos santos. O Botafogo e o Cruzeiro colocaram a XP Investimentos no mercado, à procura de parceiros.
O América já tem seu futuro sócio, americano. Se fosse indiscutível e poderoso, compraria um clube da Premier League. Em vez disso, procura um mediano time sul-americano. Pode ser bom para o América, desde que o contrato seja cuidadoso e detalhista.
Portugal cuida disso. Nas últimas semanas, discutiu-se a aproximação do norte-americano John Textor, co-proprietário do Crystal Palace, de Londres, interessado em comprar o Benfica e levá-lo à bolsa de Nova York.
"Não existe segunda oportunidade de causar a primeira boa impressão", escreveu o advogado Luis Miguel Henrique, no diário Record.
Tratava da sensação de oportunismo causada pela aproximação de Textor. Kia Joorabchian dava autógrafos no Pacaembu, dois anos antes de o Corinthians cair à Série B.
"Atenção! Esses casos poderão ocorrer no Brasil com a nova lei", alerta Luis Miguel. A SAF tem tudo para revolucionar o futebol brasileiro. Mas não haverá milagres nem milagreiros.