No relatório Focus dessa semana, os números mostram como está a deterioração do cenário fiscal, com a proposta de alteração no teto de gastos, provocou um aumento nos prêmios de risco e uma piora nas projeções macro no último mês.
Mas qual a razão de isso acontecer?
A mudança fiscal influencia a dinâmica da dívida pública nos próximos anos. E os analistas e mercados precificam esses movimentos, o que leva a uma expectativa negativa, pois, a alocação de recursos pode atrapalhar investimentos no país.
Por outro lado, se a PEC for aprovada, teremos uma injeção de recursos para as pessoas de baixa renda, 20 milhões de pessoas serão beneficiadas durante 12 meses e outras milhões de pessoas que estavam esperando receber dívidas do governo, essas serão parceladas.
No quadro macroeconômico, apesar das restrições de oferta travarem a indústria, a recuperação da atividade doméstica continua em 2021, liderada pelo setor de serviços (levando o PIB a crescer 5%).
A evolução recente da conjuntura econômica sugere que o processo de desinflação em 2022 deve ser mais lento do que o esperado.
O Copom deve chegar em 2022 com uma taxa Selic em 10% no final do ciclo de ajuste monetário. E esse cenário vai estimular investimentos em renda fixa e desestimular outros tipos de investimento com objetivo de reduzir a inflação.
No cenário internacional há muitas dúvidas.
Os números de inflação acima do esperado, juntamente com dados econômicos menos robustos na Europa, China e EUA, trouxeram de volta a discussão de “estagflação” nas economias centrais.
É preciso ter mais informações e dados para dizer que o crescimento econômico está desacelerando, pois, há ainda uma produção ociosa e demanda latente.
O menor crescimento econômico não é em função da perda de força da demanda agregada ou por falta de oportunidades de emprego, e sim devido às restrições de oferta (insumos, dificuldades logísticas) que tendem a se acomodar ao longo do tempo.
Sobre os preços, a maior parte do aumento da inflação global será transitória. O atual choque inflacionário nos EUA permanece majoritariamente vinculado a fatores específicos relacionados à pandemia e à reabertura econômica.
Em 2022 teremos uma economia em recuperação e ao mesmo tempo em ajustes, vamos passar o ano com crescimentos fortes em setores que souberam se adaptar mais rápido à pandemia, e por menor crescimento em setores que pararam 100% suas atividades.