Opinião

Paulo Vinicius Coelho

Final da Libertadores será briga de gato e rato

Jornalista, autor de "Escola Brasileira de Futebol", cobriu seis Copas e oito finais de Champions

Gabrielle Tavares

22/11/2021 - 07h45

Abel Ferreira contou ao site "The Coaches Voice" que costumava jogar Football Manager na juventude. Enquanto amigos escolhiam os times mais fortes, Abel preferia os frágeis. Times pequenos da segunda divisão portuguesa, como o Penafiel, ou médios, como o Sporting Braga.

"Como um cara pequeno, como Napoleão, conseguiu grandes vitórias? Com estratégias. Com artimanhas."

Conta ter trabalhado com treinadores que treinavam e outros que ensinavam. Os que treinavam gritavam: "Pressão!" Jesualdo Ferreira, seu professor, perguntava "onde vai?" e "por quê?"

"Para mim, o futuro é este jogo de gato e rato dentro de uma mesma partida. Adaptar-se às mudanças táticas, reagindo ao adversário."

Dizer que a final de Montevidéu será um jogo de gato e rato não significa pensar que Abel levará vantagem. Haverá o duelo entre um time acostumado a atacar, o Flamengo, e outro que se transforma de acordo com as circunstâncias, o Palmeiras.

Os melhores momentos da carreira de Abel foram com estratégias de defesa. Falta uma demonstração de explorar deficiências dos rivais, atacando. Brilhou no Paok, ao derrotar e eliminar o Benfica de Jorge Jesus da Champions de 2020. Pelo Palmeiras, dificultou o jogo do Atlético-MG no Mineirão.

Ganhou de Jorge Jesus, mas jamais venceu o Flamengo, contra quem perdeu três e empatou uma.

No duelo de estratégias de sábado (27), o rubro-negro será o gato, em busca dos esconderijos e das tentativas de fugas do rival, que pode se comportar como um ratinho que só somou um ponto dos 27 disputados contra os seis primeiros do Brasileiro.

Também pode ser a ratazana que ganhou do Grêmio, de Renato Gaúcho, a decisão da Copa do Brasil.

A única dúvida do Flamengo é se começará com De Arrascaeta ou Michael. No primeiro caso, Felipe Melo, ou Danilo, será o vigia do uruguaio. O lateral de Abel, Mayke ou Luan, se preocupará com Bruno Henrique.

Já pareceu provável que o português escalasse um zagueiro na função. Hoje, é mais certeiro pensar em Mayke, mais veloz. Renato conversou com Everton Ribeiro, o questionou sobre a hipótese de escalá-lo como meia central e ouviu sua preferência pelo lado direito.

Na vitória do Flamengo por 3 a 1, no segundo turno do Brasileiro, Piquerez subiu para pressionar a subida de Isla, e Zé Rafael vigiou Everton Ribeiro. Deu errado, quando Raphael Veiga não pressionou Andreas Pereira e deixou o volante palmeirense contra dois marcadores. Everton ficou livre para cruzar para o gol de Michael.

O Flamengo tem mais craques e a diferença pode estar aí. "Se o teu adversário está no mesmo nível que você, pode atacá-lo", escreve Abel Ferreira. "Mas às vezes tem de aceitar que o rival é mais forte. E, nesses casos, é preciso estar equilibrado."

Não está claro se Abel pensa que o Flamengo é mais forte. Seria o lógico, pela qualidade individual do adversário e por não tê-lo vencido. Mais uma razão para ansiar pelo jogo. Não despreze a hipótese de o técnico do Palmeiras estar escondendo o time e entrar com três zagueiros.

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PADRÃO CHAMPIONS

É possível imaginar que o jogo de gato e rato previsto por Abel seja semelhante à final da Champions League, entre Chelsea e Manchester City. 

O time de Londres jogou com três zagueiros e dois volantes. Amarrou o City, jogou bem e ganhou com precisão na saída de bola.

SYLVINHO

Duilio Monteiro Alves gosta da ideia de dar a Sylvinho continuidade. Há pressão pela saída, mas é cada vez mais difícil negar a qualidade do trabalho. 

O maior problema da equipe ainda é falta de agressividade, mas houve 21 finalizações contra o Santos. E vitória.

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