Opinião

ESPORTES

Lições alviverdes em um ano insano

Confira a coluna do PVC desta segunda-feira

Izabela Cavalcanti

29/11/2021 - 00h02

Abel Ferreira mudou o posicionamento de Gustavo Gómez no dia 17 de outubro. Foi a primeira vitória do Palmeiras depois de sete partidas sem vencer e de três jogos sem seu melhor zagueiro, cedido à seleção paraguaia.

No retorno, Gómez passou a treinar e a jogar pela direita, inversão de lado com Luan. Oito dias depois, o Palmeiras venceu o Sport (2 a 1). 

Questionado sobre escapadas para o ataque, o português respondeu: "Vocês podem não saber, mas Gustavo jogou como lateral no Milan."

Enquanto parte dos críticos insistiam que o Palmeiras só tem o contra-ataque, Abel Ferreira aumentava o cardápio tático. O Flamengo é o time com mais gols de contra-ataque no Brasileiro.

De um terço dos gols construídos de contra-golpe na época da final da Libertadores contra o Santos, o Palmeiras passou a ter só 12% antes da decisão contra os rubro-negros. 

Abel fez seu time com saída de três com Marcos Rocha por trás ou invertendo o lado com Piquerez –foi assim em Montevidéu.

Fez seu time atacar com cinco avantes com o lateral esquerdo na ponta ou com Mayke, como na jogada do primeiro gol, de Raphael Veiga. 

Ainda há quem não enxergue em Abel Ferreira mais do que o contra-ataque ou a retranca. Que me desculpem os míopes. Ele tem estratégia.

Com os mesmos jogadores da derrota para o Fortaleza, montou sistema completamente diferente. Scarpa foi ponta-direita no Castelão, ala esquerdo no Centenário, onde atacou no 3-4-3 e defendeu-se com um 5-4-1.

Defensivamente, era o desenho do Chelsea na final da Champions contra o City.

Gustavo Gómez cobria Mayke, o marcador de Bruno Henrique, que não conseguiu usar seus dribles e arrancadas. 

Danilo marcou Arrascaeta, capaz de criar a jogada do gol de Gabigol dois minutos após a saída de seu marcador, machucado. Zé Rafael vigiava Everton Ribeiro, com Scarpa fechando o corredor de Isla.

Raphael Veiga foi decisivo com o gol e com a marcação de Willian Arão. Quando recuperava a bola, o Palmeiras jogava.

Abel Ferreira ainda teve a simplicidade de afirmar que Renato é melhor técnico do que ele: "Tem mais títulos." 

Deixou claro seu agradecimento ao Brasil e explicou por que razão pode ir embora: o calendário insano. "Não consigo dar meu melhor."

Um treinador sabe que pode interferir mais nos jogos se puder dar treinos, em vez de ser cobrado por escalar reservas e perder para o São Paulo, enquanto pretendia apenas treinar nova estratégia: "Temos um plano."

Óbvio que há o acaso, que Deyverson não teria marcado se Andreas Pereira não errasse a passada. Mas Deyverson só estava em campo porque Abel respeita o momento de cada atleta.

Assim como Breno Lopes, em janeiro, o menino maluquinho marcou na terça anterior à finalíssima da América. Decidiu.

Abel Ferreira não é Jorge Jesus. Seu time é menos espetacular e sua capacidade de aplicar a teoria à prática é maior. Abel tem o repertório teórico.

Não consegue aplicá-lo na insanidade do Brasil.

Se for embora, fará falta. Se não for, não se desenvolverá como pode.

Nós não vamos aprender nunca?

*

O pior ataque

A vitória do São Paulo sobre o Sport diminui o risco do rebaixamento e permite projetar o time de 2022. 

O ataque terá de melhorar e ainda se registra o pior desempenho ofensivo são-paulino da história do Brasileiro. Contra o Sport, oito finalizações certas, o segundo melhor índice com Ceni.

*

Outra rotação

O Corinthians sofreu contra o Athletico, porque o rival é forte. Ganhou pela oitava vez em casa, porque a torcida empurra. 

Mas a vitória veio no segundo tempo, porque Willian muda a rotação do time. Com ajustes finos, o Corinthians pode ser forte no ano que vem.

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