Opinião

Futebol

Coluna do PVC: O futuro do Brasileirão

Confira a análise do colunista Paulo Vinícius Coelho

Eduardo Miranda

03/12/2021 - 00h01

O título do Atlético não terminará com a conversa fiada de hegemonia no futebol brasileiro. Deveria. É o sexto campeão dos últimos dez anos. Desde a virada do século, são nove vencedores no Brasil, oito na França, sete na Inglaterra, cinco na Alemanha, quatro na Espanha e na Itália.

 

Entre os países campeões do mundo, a Argentina tem mais vencedores (12), mas havia dois campeonatos por ano. A construção do novo estádio e o dinheiro do empresário Rubens Menin, dono da construtora MRV, podem tornar o Atlético uma potência.

Mas ainda é difícil prever a formação de elencos fortes e estáveis num país que exporta tanto, importa pelo nome e contrata treinadores pela repercussão. Não se espante se os próximos anos mostrarem o Bragantino brigando pelos principais títulos e lançando no mercado os melhores técnicos.

A Red Bull é um caso único no mundo, de desenvolvimento de capital humano para desenvolver futebol de qualidade, em troca de marketing. O Salzburg foi campeão na Áustria sob o comando do alemão Adi Hutter, depois semifinalista da Liga Europa pelo Eintracht Frankfurt; também foi campeão austríaco com Marco Rose, hoje treinador do Borussia Dortmund; e mais recentemente com o norte-americano Jesse Marsch, hoje no Leipzig.

Enquanto isso, o Flamengo cogita Marcelo Gallardo, que recebe R$ 1,75 milhão por mês no River Plate. Vale a reflexão de que Gallardo chegou ao River em 2014 como iniciante, com um título de campeão uruguaio pelo Nacional.

Guardiola foi campeão da Champions League em sua primeira temporada em times de primeira divisão e Frank Rijkaard, seu antecessor, não foi uma contratação de peso para o Barça do período “a bola não entra por acaso.”

É difícil enxergar o que não é óbvio.

O futebol brasileiro não vai avançar enquanto não se livrar da velha política dos conselhos deliberativos, porque conselheiro, se fosse bom, a gente vendia.

A semana de definições para grandes clubes se tornarem sociedades anônimas de futebol (SAF), casos explícitos de Botafogo e Cruzeiro, e mais incipiente do Vasco, indicam buscas de caminhos que fujam da velha política.

Como em Brasília, essa fuga pode ser ilusória.

As SAFs podem representar dinheiro novo, numa economia do futebol estrangulada, cujo teto é baixo e bate na tríade “dinheiro de TV-bilheteria-patrocinador”. Tirando o público no estádio, que precisa ser maior, a receita bateu no teto.

Vai subir se houver investidores e será necessário cuidar de serem honestos. O América-MG está perto de sacramentar a parceria com um empresário norte-americano, sócio do Crystal Palace. A ideia parece ser garimpar jovens talentos e exportá-los para a Europa.

Não é cristalina a chance de mega empresários chegarem ao Brasil, para transformar clubes tradicionais em potências esportivas.

Poderá acontecer, se o torneio for mais forte. Em outra metáfora, se a plantinha do Brasileiro for regada por igual, para se tornar uma enorme árvore da felicidade em dez anos.

Neste caso, o caminho da Premier League será trilhado. Melhor do que o da Espanha.

Em nenhum dos dois casos, haverá doze grandes clubes brigando ao mesmo tempo pelo título. Pode haver outros nove campeões nos próximos vinte anos. Ou sete, como na Inglaterra.

Mas, se a árvore não for regada por igual, apenas um ou dois galhos, o campeonato não vai ser bom.

Ninguém quer a germanização do Brasileiro, com o Bayern vencendo tudo. Isso não seria bom nem para o Palmeiras, primeiro bicampeão da Libertadores em vinte anos.

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