Opinião

PAULO VINICIUS COELHO - PVC

Montar o melhor time de 2022 pode depender mais dos olhos que do dinheiro

Confira a coluna do PVC desta sexta-feira

Ana Clara Santos

10/12/2021 - 00h05

Rogério Ceni não tem contrato assinado, e o acordo verbal para permanecer até dezembro de 2022 pareceu ameaçado pela informação de que o São Paulo gastará pouco para montar o time do ano que vem.

Depois de vencer o Juventude e livrar-se da ameaça de rebaixamento, Rogério se esquivou de falar sobre planos e afirmou pensar apenas sobre os últimos dias do atual calendário.

No Morumbi, há certo medo do futuro, por saber que não se concorrerá com quem tiver R$ 200 milhões para gastar. O número é aleatório. Podem ser R$ 100 milhões, R$ 50 milhões. O São Paulo não tem dinheiro e, por isso, teme ficar para trás.

Ninguém gastará essa fortuna, porque não há jogadores no mercado para esse tipo de investimento. Também basta observar o passado recente para entender que os reforços mais pesados têm chegado no verão europeu. Tirando o Flamengo de 2019, que contratou Gabigol, De Arrascaeta e Bruno Henrique em janeiro, e misturou com Rafinha, Filipe Luís, Gérson e Pablo Marí, em junho, os decisivos têm chegado no inverno brasileiro.

Foram os casos de Andreas Pereira, Renato Augusto, Willian, Róger Guedes, Giuliano, Daniel Alves... Ops! A maior contratação do São Paulo dos últimos tempos gerou mais dívidas do que títulos.

O Corinthians está diferente. Aposta na continuidade de Sylvinho, em compor o elenco com um zagueiro, um volante e um centroavante.

Verdade que o Corinthians elevou seu nível com as chegadas de Willian, Renato Augusto, Róger Guedes e Giuliano, mas a certeza de ser competitivo no próximo ano está atrelada à montagem de uma equipe equilibrada.

Mesmo que gaste para tirar Diego Costa do Atlético.

O Palmeiras não gastará R$ 200 milhões. Apostará em um volante e um zagueiro canhoto. Precisa de um atacante, mas será jovem. Ricardo Goulart não voltará para o Allianz Parque.

Fábio Carille deve continuar no Santos, com quem tem contrato até dezembro, e apostará em reforços pontuais para se juntarem a revelações como Pirani, Ângelo, Marcos Leonardo e Kaiky.

O Flamengo deve gastar na contratação de um treinador estrangeiro e reformular gradativamente o elenco. Filipe Luís e Diego não vão jogar para sempre, mas ninguém tem de pensar em tirá-los do elenco agora.

Seria burrice, também, condenar Andreas Pereira ao ostracismo por ter errado na final da Libertadores. Pinola, do River Plate, entregou o gol da Libertadores a Gabriel, em Lima, e festejou o título argentino há três semanas atuando como titular de Marcelo Gallardo.

O Atlético já se reforçou com Ademir, do América-MG. Chega de graça, fim de contrato.

É possível que os craques de 2022 já estejam em seus clubes atuais. Caso de Willian, no Corinthians, de Raphael Veiga, no Palmeiras, ou de Gabriel Sara, no São Paulo. O desafio de Rogério Ceni não será o de apontar o craque da temporada e pagar caro por ele, como o Atlético fez com Hulk. Sua vitória será a de fazer Gabriel Sara, ou Igor Gomes, a sensação do futebol do Brasil.

Foi o que Telê Santana conseguiu com Raí. Criticado depois do vice-campeonato brasileiro de 1990, tornou-se o melhor jogador do país no final do ano seguinte. Quando se transferiu para o Paris Saint-Germain, em 1993, Raí tinha 102 gols com a camisa são-paulina, 80% deles marcados depois da chegada de Telê.

Não dá para garantir que Hulk jogará no mesmo nível, aos 37 anos. Gabigol, sim. Terá 26.

A montagem do melhor time do país no ano que vem pode depender mais dos olhos e dos treinos do que dos cofres.

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