Opinião

Esportes

A Copa do Mundo que o técnico Tite prefere não ter

Confira a coluna de Paulo Vinícius Coelho

Thais Libni

03/01/2022 - 00h03

Tite sempre olhou para a França de 2018 como a seleção que ele não gostaria de ter. Não pelo título. O respeito pelo trabalho de Didier Deschamps sempre existiu. 

A observação é sobre a mudança de estilo da equipe após a derrota na final da Eurocopa de 2016, em Paris, tendo o melhor ataque da competição.

A transformação foi feita para ter marcação com bloco baixo e velocidade no contra-golpe, explorando características como a velocidade de Mbappé. A França foi campeã mundial por ser a mais forte, não por ser a mais bela.

Tite não desprezará o título nestas circunstâncias, mas meses depois da derrota para a Bélgica já deixava claro que seu desejo não é vencer o Mundial como os franceses venceram. Ele quer mais.

Muitos críticos não têm reconhecido na seleção brasileira o refinamento tático que ela já possui. Não é favorita para ganhar o Mundial, em dezembro, mas tem repertório e variações de acordo com os jogadores escalados e com as características dos adversários.

O que acontecerá com a seleção daqui até 18 de novembro, data da abertura, é tão incerto quanto notar que o brasileiro de maior prestígio na Europa, neste janeiro, é Vinicius Junior, não Neymar. Pensar em ganhar a Copa exige pensar em recuperar o velho craque e melhorar o jovem talento.

Um dos pecados do Brasil de 2014 foi confiar toda a criação ofensiva a dois meninos de 21 anos "" Neymar e Oscar. 

O envelhecimento precoce, por lesão ou falta de dedicação, de Ronaldinho, Adriano e Kaká, jogou todo o peso sobre Neymar há oito anos. Poderia ser melhor se a transição de uma geração para outra fosse mais natural, como de Romário e Bebeto para Ronaldo e Rivaldo.

Tite pode ter a chance de fazer a transição de Neymar a Vinicius "" e a quem mais chegar "" e de montar o time de seus sonhos. Taticamente firme, difícil de sofrer gols, como tem sido.

Também capaz de estratégias ofensivas surpreendentes, que façam extrapolar as melhores qualidades de seus jogadores mais talentosos.

O Brasil não é favorito, como não foi em nenhuma das cinco Copas vencidas. Mas tem um time com rosto definido, capacidade de fazer a saída com três homens e atacar com cinco, de se defender com linha de quatro e variar o posicionamento para marcar no ataque, na intermediária ou perto de sua área, para explorar contra-ataques.

Nos próximos dez meses, é preciso olhar quem pede passagem e quem não se dedica. Puxar a corda para acompanhar os mais decisivos e insistir na recuperação de Neymar, mas sem deixá-lo pensar ser o dono do time, porque o Brasil já ganhou a Copa com Pelé machucado.

Fazer ajustes finos, sem perder de vista o surgimento de alguém que possa transformar os rumos. Como Vinicius Junior tem feito. 

O Brasil passou duas vezes por períodos de cinco mundiais sem o troféu. Pode acontecer pela terceira vez. Ganhando ou perdendo, é necessário refazer o pacto do futebol do Brasil.

Entender que a seleção só será a melhor do planeta se voltarmos a ser o país do futebol.

Tite pode ajudar. É um bom princípio querer ganhar a Copa do Mundo atacando os rivais. Mesmo que, durante o Mundial, possa ser necessário ter um certo nível de pragmatismo.
Há muitas maneiras de vencer. Tite quer ganhar jogando bem.

COUTINHO

As informações dão conta de que Coutinho gostaria de voltar ao Brasil para ficar mais perto da Copa. 

Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. O que ele precisa é voltar a jogar bem, seja em Arsenal, Barcelona ou Flamengo.

ALERTA

Casemiro é um dos melhores brasileiros na Europa, pode ser o capitão do hexa, mas precisa de alerta. 

O número de cartões que afastam-no de jogos importantes é exagerado. Fabinho é o reserva imediato e também excelente jogador.

Direito previdenciário

Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro

Por Juliane Penteado Santana Advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário

23/10/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

Continue Lendo...

Direito

Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco

A chamada "cláusula guarda-chuva", comum em contratos de bancos e cooperativas de crédito, tenta estender a garantia a qualquer dívida futura. A lei impõe limites, e conhecê-los pode salvar a fazenda

22/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).