Opinião

Economia

Efeitos da Taxa Selic no Mercado Imobiliário

Confira a coluna de Michel Constantino desta terça-feira

Thais Libni

01/02/2022 - 00h03

Para combater o aumento dos preços no Brasil, o responsável pela política monetária age a partir do seu mecanismo de controle e (des)incentivo. 

O Comité de Política Monetária - Copom usa a taxa de juros do mercado para desincentivar a alta nos preços, a partir de efeito secundário que chamamos de “custo do dinheiro”. 

Ao aumentar a taxa de juros Selic, o Copom permite que todo mercado financeiro aumente suas taxas de juros, seja para financiamento, empréstimo, rotativos, investimentos e créditos que possuam taxa de retorno.

Esse aumento das taxas provocará um aumento no valor dos financiamentos, que implicará em parcelas mais altas e desincentivo para compra dos imóveis, carros, empréstimos e outros créditos possíveis. 

Com menos dinheiro em circulação, a tendência é que a demanda diminua, ou seja, a compra de investimentos, imóveis, automóveis e outros produtos e serviços ligados ao crédito caiam e os preços comecem a ser reajustados para baixo, com objetivo de equilibrar o mercado.

Esse tipo de movimento desencadeado pela Selic mais alta só tem efeito negativo no mercado para os imóveis que tem compra a prazo, para os imóveis comprados à vista, o mercado aquece, pois, os preços estarão mais baixos e os poupadores (compradores a vista) são incentivados a comprar novos imóveis. 

Como o relatório Focus aponta ainda uma alta da Selic em 2022 teremos uma tentativa de desincentivo por parte do Copom para conter a alta nos preços, reduzindo as vendas de imóveis a prazo e aumentando o incentivo para compradores à vista com preços mais atraentes. 

Os preços dos imóveis subiram durante o período da pandemia, por dois efeitos principais: i) a demanda maior - houve uma mudança de hábito para atender famílias confinadas e o home office, e, ii) os custos de produção - com o desabastecimento que ocorreu desde março de 2020 com o início da pandemia, quando os países iniciaram seus processos de lockdown, parando fábricas, serviços e logísticas de transporte. 

Mesmo após quase dois anos, essas iniciativas de paralisação estão impactando nas cadeias globais de abastecimento, com menos oferta de produtos e a demanda aumentando, os preços sobem e tem o efeito de falta de produtos, preços mais altos e custos elevados para todos os elos da cadeia produtiva e para o consumidor final. 

O relatório Focus ainda prevê a volta da diminuição da Taxa Selic para 2023, pois, esse amargo remédio da política monetária cria a chamada contração da economia, desincentivando o crescimento no período de alta do custo do dinheiro. 

Esse processo não pode ser realizado a longo prazo, devemos voltar a abastecer os mercados, aumentar a oferta de produtos e serviços e incentivar a concorrência, promovendo crescimento, emprego e preços equilibrados com a demanda.

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