Na vida do ser humano existem dois caminhos que definem sua conduta e seus projetos de vida. Deles dependem a felicidade ou a infelicidade. Um caminho é de quem vive como se o viver acabasse com a morte.
Outro é de quem crê fielmente que nascemos para o eterno. Somos corpo, espírito e alma. Somos uma unidade constituída e animada pela graça de Deus.
Já no Antigo Testamento o profeta Jeremias alertava o povo de Deus que cuidasse de sua crença e a cultivasse com profundo e sincero amor, sempre obediente ao único e verdadeiro Deus. A nenhum outro deverá prestar culto.
Interpretando o querer de Deus, ele adverte: “Eis o que diz o Senhor: maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor! Será como a árvore solitária no deserto arrasador, na terra salgada e inabitável”.
Ato contínuo, diz o profeta: “Bendito o homem que confia no Senhor. E nele deposita sua esperança e segurança. Ele será como a árvore plantada à beira das águas e solta suas raízes em direção ao rio; não teme quando vem o calor. Suas folhas estão sempre verdes. No ano da seca não se perturba” (Jer.17,5-8).
Os caminhos são muitos. Não são apenas esses dois. Cada qual escolhe o seu.
Essa escolha tem suas consequências. Será preciso examinar com equilíbrio a escolha que pretende assumir para não ter que amargar situações que destruirão sonhos e prejudicarão o relacionamento e a convivência.
Somos cidadãos do céu. Não somos desse mundo marcado pela ganância, pelo egoísmo e pela disputa de poder.
Somos companheiros no caminho do Senhor. Nele se encontram os profetas, os mártires e os que santificam suas vidas mediante o testemunho de sua fé, de sua comunhão com os demais e com o próprio Deus.
Nele não haverá lugar para aventureiros e nem para aproveitadores. Sempre haverá lugar para os mansos e humildes de coração, para os que semeiam a paz, para quem usa de misericórdia com os enfraquecidos, para quem consola os tristes, para os que usam de mansidão e defendem a verdade.
A esses, Deus há de preparar um lugar de honra e de glória para todo o sempre.
Esses serão os cidadãos com seu lugar garantido, pois acreditaram e assumiram como missão a partilha dos bens com os mais necessitados, a saúde dos enfermos, a acolhida aos peregrinos e a libertação dos injustiçados.
Não deveremos pensar, porém, que para garantir a recompensa devamos aceitar e conformar com o sofrimento ou, ainda, a privação dos bens necessários da nossa sobrevivência e da nossa família.
A felicidade verdadeira consiste realmente no desapego dos bens materiais e até dos espirituais. O único apego será a Jesus Cristo e à sua palavra.
E a salvação é decisão de Deus. De nossa parte, não temos direito de reivindicar nada da bondade de Deus. São Francisco de Assis dizia a seus frades que a salvação é gesto da misericórdia de Deus.
Para nós resta a humildade em aceitar que somos pecadores e confiar plenamente nessa sua misericórdia, pois seu coração é maior do que todo o mal deste mundo.