Venildo Trevizan - Frei
Olhando os diversos caminhos que se abrem em nossa frente ficamos, possivelmente, indecisos quanto à escolha.
Olhando as diversas propostas que a vida oferece, também corremos o risco de não saber qual caminho seguir e qual escolha realizar.
Talvez seja hora de parar, recolher, pensar e decidir: vivemos em função das coisas do mundo ou das coisas de Deus?
Nossas decisões estão fundamentadas em argumentos pessoais ou em necessidades da comunidade que nos cerca, nos acolhe e nos sustenta? Teoricamente, nos sentiremos inclinados às necessidades da comunidade.
Mas, na realidade, será assim? Creio firmemente que não será assim. A tendência será sempre em função de si mesmo e dos interesses egoístas.
Não apenas buscaremos a defesa de interesses, como também a tendência de elaborar certos e supostos argumentos e posicionamentos em face da realidade que nos envolve.
Aprendemos, desde a infância, que amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo constitui a lei básica da convivência humana.
Além disso, pouco nos foi transmitido como dever ou como obrigação. Simplesmente amar, querer bem, respeitar e conviver com as pessoas, mesmo as que pensam diferente de nós.
Contudo, algo diferente surgiu quando o Mestre dos mestres apareceu com uma proposta que desafiaria a sensibilidade humana e levaria em direção de quem comunga do mesmo amor, a necessidade de criar nova atitude perante a realidade humana e sagrada.
E haverá de escolher entre a tendência do mundo e a atitude de Deus. Haverá de escolher entre amar e discriminar. De acordo com a vontade do Mestre, o verdadeiro e sólido caminho será esse:
“Amem seus inimigos, façam o bem a quem os odeia, abençoem os que os maldizem e orem pelos que os injuriam” (Lc.6,27-28).
Essa é a maneira de amar de Deus. Ele quer o bem de todos. Por mais pecador que seja, Deus o ama com o coração misericordioso e compassivo.
Ama porque o criou para si e para a felicidade. Mesmo que se desvie do bom caminho, vai à sua procura como o pastor que procura a ovelha que se perdera. E quer celebrar o seu retorno com o carinho de quem ama.
O mundo não pensa assim! O mundo quer vingança. Se errou, tem de pagar por seu erro. Se prejudicou, tem de repor.
Não há como perdoar. Não existe misericórdia. Torna-se difícil entender e aceitar a linguagem e a atitude de Deus. O mundo está longe da sua maneira de tratar a cada um de seus filhos e filhas.
Perdoar só poderá ser atitude de quem possui um coração que esteja em comunhão com o coração do próprio Deus. Só poderá ser para quem reconhecer que, apesar dos tantos pecados, ainda seja possível cultivar valores como presentes do amor de Deus.
Mesmo que o pensar do mundo seja de vingança e de condenação para quem erra, ainda será possível colocar a mão no coração e vibrar com a esperança de dias melhores.
Vale a pena apostar na felicidade. Apostar que a lógica da vingança será superada pela lógica da misericórdia. Apostar que a lógica do ódio será vencida pela generosidade do amor.