Douglas Elemar - Professor do Ensino Médio
Se existe um curso universitário que consta entre os mais desejados dos vestibulandos, podemos dizer, sem receio de incorrer em erro e injustiça, que este é a faculdade de Medicina.
Profissão, de fato, que envolve prestígio na sociedade, muito estudo e uma responsabilidade sem tamanho. Afinal de contas, lida com a vida e, consequentemente, com a morte.
Mas a escolha pelo estudo da Medicina é realmente uma escolha do aluno(a), recém-egresso do Ensino Médio, ou seria uma imposição velada pela sociedade, composta de amigos, escola e, principalmente, familiares? Difícil pergunta, que pode não comportar simples resposta.
Cada vez mais pode-se observar, entre as várias campanhas publicitárias de escolas ou colégios, o apreço e a visibilidade que os aprovados em Medicina obtêm.
Eles figuram entre os outdoors e busdoors e tudo o mais onde se possa exibir a verdadeira vitória, similar a uma competição olímpica grega: “Aprovado em Medicina!”.
Não é necessário aqui lembrar a extrema pressão física, psicológica e emocional a que são submetidos os alunos na reta final do vestibular.
Soma-se a isso, ainda, a urgência autoimposta de ter de ingressar em um curso universitário cuja nota de corte beira os píncaros do Enem e vislumbrar-se-á, então, o impacto causado por uma reprovação e, quem sabe, posteriormente, pela escolha por outro curso que não seja do agrado daqueles que cercam o aluno.
Nem o grego Hipócrates (460/370 a.C.), o pai fundador dos médicos estudos, conseguiria imaginar uma sociedade onde todos, ou a sua grande maioria, aspirassem a ser seus discípulos.
Ora, é o mesmo Hipócrates que, na obra “Da Natureza do Homem”, aponta a teoria dos quatro humores, a saber que o corpo humano seria constituído de quatro fluidos: fleuma, sangue, bile amarela e negra. A perfeita saúde seria advinda do equilíbrio desses quatro componentes.
Embora ultrapassada, a lição hipocrática chama atenção para um fator de suma importância: em tudo deve prevalecer o equilíbrio, ou o métron, a justa medida em grego, como assinala Aristóteles (384/322 a.C.) na obra “Ética a Nicômaco”.
Que maravilhoso é poder ver nos olhos marejados de um aluno que o mesmo ingressou no curso de Medicina que tanto queria e estudou.
Nada mais justo e merecido! Mas não olvidemos os outros, os futuros professores, pedagogos, advogados, engenheiros, enfermeiros, veterinários, músicos, administradores, psicólogos, jornalistas, historiadores, economistas, contadores, arquitetos, etc.
Uma sociedade que almeja ser justa e humana deve-se pautar pelo equilíbrio, não somente decorrente da saúde de seus cidadãos, mas, também, e fundamentalmente, da harmonia dos profissionais que nela atuam, lutam e trabalham.