Venildo Trevizan - Frei
Por onde o ser humano andar haverá de deparar com possibilidades em todos os setores de sua vida e de suas atitudes. Tudo será possível.
Tudo será factível, pois a vida humana pode ser comparada com um grande e rico armazém. Nele se encontram todas as possibilidades, desde que quem as administre seja hábil em colocar cada uma em seu lugar. E cada sonho tenha seu espaço e sua possibilidade.
E essa maravilha será possível na medida em que souber cultivar bons pensamentos fortalecidos pela coragem de deixar-se conduzir pelo bom senso e pelo equilíbrio emocional. Não caberão ilusões e fantasias.
Será necessária a cautela em escolher princípios que possam garantir uma vida saudável.
Caberá alertar para a necessidade em cultivar a qualquer preço a verdade. Ser verdadeiro entre o falar e o fazer.
Ser verdadeiro diante de Deus, não para justificar certas atitudes, mas para reconhecer as faltas na fé e na confiança, no amor e na coerência.
A palavra tem seu valor se conduzir a atos coerentes com a realidade em que se situa. Falar muito nem sempre será o melhor. A cautela e a prudência não fazem mal a ninguém.
Ser honesto em reconhecer suas qualidades e suas fraquezas. Não vangloriar-se por suas capacidades e nem entristecer-se por suas limitações. Cada qual terá em seus ombros o peso real de sua cruz. Nada a lamentar e nem a desprezar.
Ser prudente ao emitir julgamentos a respeito da vida alheia. O Mestre dos mestres foi muito claro ao alertar a esse respeito:
“Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergará para tirar o cisco do olho de teu irmão” (Lc. 6, 39-43).
A tentação é sempre a mesma. Com facilidade nos consideramos juízes com toda a autoridade em olhar para os outros e querer julgá-los e condená-los. Esquecemos que o dedo com que apontamos para os erros dos outros pode estar sujo também. Será bem melhor ser prudente e respeitar.
Cuidado com as aparências! São muitas as pessoas que se aproximam com a maldade escondida, aparentando boa vontade em ajudar.
Como o Mestre alerta, é pelos frutos que conhecerão. Não será por aquilo que prometem, mas por aquilo que demonstram em sua vida passada. A falsidade sempre se apresenta com pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes.
O bom senso apela para a prudência. É muito cômodo ver os erros dos outros. O difícil será reconhecer os seus próprios. E, antes de corrigir os outros, nada mais sensato do que purificar-se dos próprios.
Não esquecer que o homem bom tira coisas boas de seu coração. E o homem mau tira coisas más do seu coração, pois a boca fala daquilo que o coração está cheio (Lc. 6, 41-45).
Feliz quem se esforçar em adquirir bons pensamentos, atitudes honestas e princípios cristãos. O coração transbordará de alegria e de paz.
Será como a árvore boa, que produzirá sempre bons frutos. Serão os frutos do amor, da justiça e da verdade. Serão os frutos da compaixão e da misericórdia. Serão os frutos de vida e comunhão solidárias.