Oswaldo Almeida - Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Foi no fim do mês de dezembro do ano da graça de 2021, 199º da Independência do Brasil, que tive a oportunidade de conhecer as esperadas novas e repaginadas instalações do terminal de passageiros do aeroporto de nossa capital, oficialmente denominado Ueze Elias Zahran.
Decepcionei-me. Saí frustrado, pois as novas instalações, apesar de “inauguradas” há alguns meses, com pompa, circunstância e a presença do ministro de Estado responsável pela infraestrutura do País (que, segundo o noticiário, alimenta a pretensão de alçar voo na política partidária e se faz presente em eventos desse tipo com o fito de promover-se), está tudo inacabado, com serviços em andamento e o caos provocado pela improvisação e pela falta de sinalização, tanto no estacionamento para veículos quanto no ambiente interno.
Uma coisa importantíssima para um aeroporto desse porte, porém, foi esquecida, ou deixada de lado, pela empresa pública (ainda) Infraero, administradora e responsável por este e outros aeródromos brasileiros. Uma deficiência que, esperava-se, fosse sanada com a grande reforma ainda em andamento.
Lamentável! Quem embarca ou desembarca em nosso terminal aeroportuário conhece as agruras de caminhar até a aeronave, ou vice-versa, sob sol forte, chuvas intensas, acompanhadas de ventania violenta e frio enregelante.
Nesse dia, fui recepcionar o filho que chegava do Hemisfério Norte, onde é inverno, e ele enfrentou, com os demais passageiros, uma longa caminhada pelo pátio, sob o sol ardente do meio-dia, pois a aeronave estacionou frente a uma extremidade do prédio, alongado, com a sala de desembarque situada na outra extremidade.
O que falta é o equipamento denominado ponte de embarque e desembarque de passageiros, também conhecido pela palavra inglesa “finger” (talvez por sua forma, semelhante a dedos que se projetam da estrutura do terminal), presença comum nos grandes aeroportos e na maioria daqueles que contam com significativo movimento de usuários.
Esse sistema facilita o embarque dos passageiros e os protege de condições climáticas adversas, como as enumeradas acima. Em nossa vizinhança, na reforma efetuada para receber as delegações esportivas para os jogos da Copa do Mundo de 2014 (porém, concluída somente alguns anos depois disso), o aeroporto de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, capital de Mato Grosso, foi dotado de alguns desses equipamentos.
Aqui, não se dispõe nem mesmo de um sistema de ônibus especiais para fazer o transporte dos viajantes nos embarques e desembarques.
Na moderna e bela cidade de Londrina, segunda maior do estado do Paraná (embora com população menor que a de Campo Grande), dada a impossibilidade de instalar a ponte como tal (o terminal só dispõe de um pavimento), foi construído um sistema semelhante, porém não suspenso, isto é, uma espécie de túnel sobre o solo, o qual faz a ligação entre o terminal e a aeronave, cumprindo a função da ponte de embarque e desembarque, com algumas adaptações.
Na entrada do avião há uma escada e uma plataforma elevatória ao lado.
Essa importante funcionalidade foi inventada, entre outras inovações, pelo engenheiro aeronáutico norte-americano Frank Der Yuen (20/2/1912-17/9/1984), em 1954. Ele formou-se pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT.
O primeiro aeroporto do mundo a receber tal equipamento foi o de O’Hare, em Chicago, nos Estados Unidos, no ano de 1958.