Venildo Trevizan - Frei Católico
Enquanto estivermos vivos, muitas coisas poderão acontecer. Coisas boas e coisas menos boas.
Acontecimentos que alegram e acontecimentos que deixam rastos de aborrecimento. Poderão acontecer fenômenos que enriqueçam os conhecimentos ou decepcionem as perspectivas de uma vida saudável. Tudo pode acontecer.
Enquanto estivermos vivos, poderá acontecer uma mudança profunda no modo de pensar, no modo de amar e no modo de crer.
O pensar vai evoluindo à medida que formos crescendo intelectual e espiritualmente. O amor se concretizará em bases sempre mais seguras à medida que houver um conhecimento mais real da vida.
O crer também tem seu amadurecer e seu desenvolver à medida que houver possibilidade de penetrar cada dia mais na intimidade do ser de Deus. Quanto mais sensíveis ao conhecimento de si e de Deus, tanto mais segura a fé e a confiança no mesmo Deus.
Crer não poderá se confundir com acomodar-se. A pessoa que acredita é uma pessoa que questiona e que interroga.
Não se contenta com aquilo que sabe. É alguém que aprofunda seus estudos, suas pesquisas e seus esclarecimentos. É alguém que busca respostas. E, para isso, vive a inquietude das dúvidas. Duvida das religiões. Duvida das crenças. Duvida das igrejas.
Porém, não poderá permanecer nesse patamar de conhecimentos e de dúvidas. Necessitará evoluir em seus questionamentos e buscar a verdade. Santo Agostinho, em suas confissões, dizia: “O coração humano viverá inquieto enquanto não repousar no coração de Deus”, frisava seu ensinamento.
O Mestre dos mestres, no alto cruz sentindo na pele a dor e no coração, o sofrimento, desabafa moribundo:
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. Em seguida, se recompõe e diz: “Em tuas mãos entrego meu espírito”. São expressões de almas feridas pela dor, mas conformadas no amor.
Essas são expressões de almas fortes e consciências esclarecidas e de corações ofertados gratuitamente como oferenda viva e perene nas mãos do Deus misericordioso e compassivo. Ensinam onde e como a oração consegue unir corações que se amam, que se entrelaçam e se fazem comunhão de sentimentos e de sonhos.
Compreenderemos, então, que orar será uma maneira nobre de conversar com Deus.
Não apenas falar. Mas também escutar. Falamos muito. Reclamamos outro tanto. Não conseguimos nos calar para ouvir o que Deus tem a nos dizer. Não damos espaço. Somos egoístas.
Muitos são aqueles que dizem não adiantar rezar muito. Pedem tanto e nada conseguem. Deus é esse mesmo.
Nem sempre atende. Nem sempre nos dá aquilo que pedimos, mas o que necessitamos, porque fazemos da oração não um diálogo, mas um monólogo.
Olhando a sociedade atual, percebemos que não dá atenção às pessoas que pedem socorro em suas angústias ou em suas revoltas.
É difícil encontrar alguém que disponha de tempo. O ser humano é prisioneiro da solidão. O ser humano é escravo das redes sociais. Não consegue libertar-se. Falta-lhe deixar-se amar por Deus.