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Fake mundi

O mundo se vê imerso em um grande conjunto fake, de notícias reais distorcidas

Luiz Fernando Mirault Pinto - Físico e administrador  

Meu pai contava que na sua adolescência os colegas se reuniam em uma confeitaria para trocar ideias, fofocas políticas e sociais, histórias e comentar notícias. 

Estas, às vezes, tinham um caráter oficial quando um dos rapazes que escrevia diariamente em um jornal da cidade lá aparecia para se atualizar e se abastecer das novidades. 

Vez por outra, algumas histórias, mesmo fictícias, eram publicadas para ocupar espaço, mas deveriam aparentar autenticidade, cunho emocional ou apelativo, a prender atenção dos leitores.  

Já era “fake” na década de 30, sem a rede social, a mídia informatizada, a tecnologia de comunicação com geolocalização e sua velocidade. 

Era sempre um fato ocorrido recentemente, do outro lado do mundo (atividades vulcânicas, naufrágios, aparições de seres, manifestações), de difícil constatação e comprovação, mas não tão absurda ou tenebrosa, garantindo a curiosidade e naturalmente a superficialidade, sempre vaga.

Hoje, ainda em plena pandemia e com o cenário recente de guerra, o mundo se vê imerso em um grande conjunto fake, de notícias reais distorcidas, imagens duvidosas produzidas e reproduzidas de modo a formar um pensamento único, uma distopia, um sentimento coletivo, angustiante, de medo, incertezas, ressentimentos, responsabilizações e vingança, resultando em preconceitos, fobias (russofobia) e discriminação étnica.

A contagem mundial de vítimas da Covid-19, a turbulência e o desespero no atendimento e nos demais serviços de saúde do planeta, resultado da fragilidade da humanidade ante a escalada do vírus e as notícias desencontradas da mídia internacional sobre do “vai e vem” de ondas ameaçadoras em diversos países, juntamente com fakes sobre a desnecessidade da vacinação e o tratamento estéril com medicamentos inadequados, são exemplos de mentiras que nos assolaram diariamente.  

Em continuidade, na divulgação de notícias artificialmente apresentadas, superficialmente discutidas por âncoras a serviço de um pensamento único, globalizado (internacionalização do mundo capitalista) ou de capitais privados que desrespeitam fronteiras, soberanias, ameaçando governos, definindo regras, oportunizando tensões entre países de acordo com suas conveniências, passamos para as mentiras do conflito eslavo.

Dizem que são “guerras de narrativas”, nas quais uns mostram ataques a civis, hospitais, maternidades, asilos, creches, abrigos, o impedimento de um corredor humanitário, na intenção de comover a imprensa internacional, outros aguardam o derradeiro desfecho da rendição, acusando que as atrocidades são fruto das milícias, mercenários contratados, nacionalistas neonazistas e de civis armados pelo adversário, elevados à categoria de resistentes por receberem armas do governo e portando “combatentes” sujeitos então ao enfrentamento.

Suponhamos que seu vizinho (Ucrânia) se dispõe a ceder parte do terreno para a instalação de uma torre de telefonia (Otan). Você contesta uma vez que o risco de efeitos adversos à saúde de seus familiares e vizinhos próximos está presente. 

A comunidade tecnológica de comunicação (poder econômico) contesta tal afirmativa propagando que não há estudos definitivos sobre o perigo das radiações, e a premente necessidade de expandir uma comunicação rápida e eficiente para os habitantes.  

Estes, (EUA e UE) pensando nos benefícios e seus próprios interesses, já que se encontram longe do problema, prestam apoio e concordam com seu vizinho, passando a hostilizá-lo como reclamante (Rússia).  

Este arremedo metafórico, ao definir comparações, exemplifica uma “pendenga” antiga entre dois países, cada qual se justificando a seu modo e de acordo com suas premissas, falsas ou não, angariando adeptos e se utilizando de uma mídia fake comprometida com o poder econômico.

A guerra se estende com sanções econômicas que, ao mirar a disputa, compromete toda a comunidade internacional, com restrições coletivas, aumentando as desigualdades antes resultantes do colonialismo, depois da pandemia, e agora do interesse na venda de armas, ou restos de guerra (Iraque, Afeganistão, Irã, Somália, Líbia) atendendo ao prazo de validade das armas e munições.

Uns ficarão sem fast-food, grifes, cafeterias, cartões de crédito, plataformas digitais e mídias sociais. Outros ficarão sem gás, petróleo, trigo e fertilizantes. Os promotores da discórdia permanecerão tranquilos enquanto suas reservas durarem. Brasileiros e brasileiras, desesperai-vos!

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