Venildo trevizan - Frei
O ser humano é alguém que não se cansa em sua caminhada rumo ao encontro com a felicidade. Busca conhecer a si e conhecer também os que se encontram no mesmo caminhar, embora não com os mesmos sonhos. Não importa quantos e como são.
O importante é quando todos alimentam o mesmo ideal e assumem o mesmo desafio de chegar à plena felicidade.
Existem, porém, os que se julgam no direito de escolher seu próprio caminho e sua maneira própria de caminhar. Sejam quem forem, consideram-se livres em elaborar seus motivos, programar seu caminhar e escolher com quem e como caminhar.
É claro que todo ser humano é livre em suas decisões. Mas terá de arcar com as consequências dessas decisões.
Na Bíblia Sagrada, um fato, entre tantos, chama a atenção de todos quantos pensam em propor-se uma maneira própria de viver.
Não aceitam conselhos. Não aceitam interferência de espécie alguma. É a história de um pai que tinha dois filhos vivendo na mesma casa, partilhando os trabalhos e tarefas domésticas.
Um certo dia, o filho mais novo, talvez insatisfeito e cansado da monotonia da vida familiar, declara publicamente sua decisão de viver por conta própria e sair de casa. Exigiu a parte da herança que lhe pertencia.
O pai, sem questionar, simplesmente fez a partilha dos bens entre eles e lhe deu a parte da herança que lhe pertencia.
O jovem, imaginando-se livre, partiu para o tão sonhado mundo dos prazeres, das diversões e da vida fácil. Imaginava estar rico, ter tantos amigos e tão grandes ilusões. Não soube ou não quis controlar a administração de sua herança.
Rapidamente foi se consumindo. Viu-se na miséria, tanto financeira quanto moral. Surge a decepção. Acabou a alegria. Findou a felicidade tão sonhada. Desmoralizado, viu os amigos o abandonarem.
Sobrou a mendicância. Caído em sua desgraça, veio a lembrança das coisas boas e belas da casa paterna. E se pergunta: “Seria possível retornar”? A dor de uma consciência ferida o faz pensar e acreditar que ainda haveria a possibilidade de voltar.
Ergueu-se do chão lentamente. E decidiu confiar em seu pai: “Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não mereço ser tratado como teu filho, trata-me como um empregado”. Mas não teve tempo para o desabafo. O pai o abraçou e o beijou. Trocou as roupas do pecado pela veste da vida nova.
A rebeldia de um filho foi purificada pela misericórdia de um pai. O orgulho petrificado de um filho revoltado foi superado pela compaixão de um pai muito amado.
A liberdade sonhada por um filho imaturo foi resgatada por um gesto festivo de um pai, que celebrou com um banquete alegre e feliz.
A busca frustrada de tão sonhada felicidade aconteceu, não nos prazeres mundanos, mas em ambientes familiares em que há espaço para a convivência e a harmonia, para o perdão fraterno e para a partilha com amor.
Mesmo que entre nós haja alguém que queira ser diferente ou queira quebrar a aliança do amor e da fidelidade, respeite a decisão, mesmo não concordando, e continue sendo testemunha alegre e feliz dessa aliança, fonte de carinho e de felicidade.