Opinião

ARTIGOS

PowerPoint globalizado

Até os economistas midiáticos de hoje justificam o aumento de 116% no preço da cenoura com a guerra que ocorre a 10.000 km de distância do brasileiro

Luiz Fernando Mirault Pinto - Físico e administrador  

Sabemos que o “brasileiro médio” (aquele que reúne características semelhantes dos tipos de estratificação social) é crédulo, daí as histórias e lendas da nossa cultura (Mula sem Cabeça, o Boto Cor-de-Rosa, Iara, Saci-Pererê, Cuca e Curupira), que sustentam tal afirmativa, ou as “fakes”, quando replicadas sucessivamente.

O bordão “brasileiro é tão bonzinho” fazia sucesso, pois se acreditava que o “sketch” referia-se à sua esperteza, quando na realidade reforçava um estereótipo falso sobre a credulidade dos espectadores. 

Até os economistas midiáticos de hoje justificam o aumento de 116% no preço da cenoura com a guerra que ocorre a 10.000 quilômetros de distância do consumidor brasileiro, colocando no legume a culpa e a responsabilidade da volta da inflação, nem os coelhos (inclusive os da Páscoa) acreditam.

Em 2016, a mídia transmitiu uma coletiva programada como furo de notícias, ao apresentar à sociedade uma denúncia definitiva de corrupção de um ex-presidente. 

Era relatado pela força-tarefa de promotores da Justiça, por meio de um PowerPoint, um diagrama, o qual se chamou de “provas ou evidências e contextos que permitiam concluir, além de qualquer dúvida razoável (e não até prova em contrário), um esquema criminoso, cujo comandante havia sido descoberto”, e lá já estaria sentenciado.

O boom da divulgação, a repetição das denúncias, as justificativas do combate, a corrupção, o desvio de atenção aos problemas políticos da época, as manobras golpistas de parlamentares desacreditados, a caça às bruxas, a sanha punitiva, incutiram na cabeça dos brasileiros crédulos acusações forjadas, uma impostura até hoje cristalizada como verdade.  

Somente em 2019, ocorreu a divulgação de informações vazadas de fonte anônima em aplicativos denunciando as irregularidades, e verdades sobre as ações do combate à corrupção, ao se verificar posteriormente que todas as acusações, principalmente as contidas no famoso PowerPoint, eram um arremedo de Justiça envolvendo política. 

Hoje, é sabido que se tratava de mentiras, umas sobre as outras, a ponto de serem anuladas.Já era fake que sem nenhuma investigação jornalística se reproduzia diariamente, com apoio de profissionais da imprensa e da grande mídia televisiva, causando dissabores aos envolvidos caluniados com seus diretos de defesa conspurcados.

De outro modo nesse mundo moderno, praticamente todos já têm noção do que significa a globalização, como um processo social a nível mundial envolvendo as relações econômicas, políticas e sociais entre os países. 

No entanto, desconhecem que ela interfere por vezes negativamente nos sentimentos nacionalistas das regiões, conflitando com os naturais seus costumes, suas culturas, produzindo desequilíbrios sociais como desigualdades, exploração  econômica e injustiças, ou discriminações, como resultado da concentração de poder econômico nas mãos de poucos.  

Nesse momento, as TVs “globalizadas” noticiam, com esquemas, apresentação de âncoras e mapas sobre a invasão Russa, “à la PowerPoint”, recheados de comentários e interpretações tendenciosas, reproduzidas de agências internacionais ou serviços governamentais de divulgação que se encaixam para a formação da opinião dos crédulos e seguidores das ações estratégicas e uníssonas dos países ocidentais sobre o momento. 

O que era fake é chamado pelos russos de farsa (Hoax), como as acusações de genocídio de civis ucranianos em valas, narrativas videogravadas com artistas, ataque russo a maternidades, civis, investida de tanque russo sobre veículo com idosos, e assim segue. 

Não estamos aqui defendendo esse ou aquele, mas frisando que os crédulos, que não filtram as narrativas dos interessados nos conflitos, estão incentivando o combate, a venda de armas, apoios fictícios, promessas vãs, promovendo a discórdia mundial e aumentando as desigualdades sociais e econômicas, cooptando aliados para o sacrifício, são aqueles que alimentam esse estado beligerante de olho na reconstrução de um país em cinzas, justificando a “retomada da democracia”, como já demonstrado no Iraque, na Somália, no Afeganistão, na Líbia, na Síria, com as respectivas evasões migratórias.  

A mentira tem pernas curtas e estamos habituados sem, no entanto, reprovarmos essa prática, na divulgação de informações sem a filtragem, a devida investigação, a honestidade de princípios, a ética da verdade e principalmente a correção ou ajustes com as desculpas pertinentes pela mentira divulgada como se fosse verdade.

Assim são as guerras atuais, que vão além da força bruta militarizada, com táticas que se baseiam em falsa propaganda, difusão de fake news, contra quaisquer adversários políticos.

Direito previdenciário

Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro

Por Juliane Penteado Santana Advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário

23/10/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

Continue Lendo...

Direito

Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco

A chamada "cláusula guarda-chuva", comum em contratos de bancos e cooperativas de crédito, tenta estender a garantia a qualquer dívida futura. A lei impõe limites, e conhecê-los pode salvar a fazenda

22/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).