Opinião

PVC

A dor de crescer de Vítor Pereira

Confira a coluna de Paulo Vinicius Coelho desta segunda-feira (25)

Thais Libni

25/04/2022 - 00h03

O Corinthians enfrentará o Boca Juniors nesta terça-feira (26) sob risco de eliminação da Libertadores e de desperdiçar uma boa ideia. 

Vítor Pereira recebeu um duríssimo quebra-cabeças para montar, que inclui pressionar adversários no campo de ataque com oito veteranos talentosos, 60 jogos em seis meses e jovens formados com conceitos diferentes dos seus.

A quinta derrota em clássicos neste ano –a quarta sob o comando do português– reforça a eterna nuvem de desconfiança, como se o fracasso desta etapa do trabalho fosse apenas do técnico, e não da soma de diretoria e montagem do elenco.

Vítor Pereira deu um incrível depoimento sobre o erro de Xavier no gol da Portuguesa, em Londrina, que evidencia a contribuição do intercâmbio com treinadores estrangeiros. 

"Xavier é uma força da natureza, mas tem questões a evoluir, numa posição onde é preciso ler a pressão antes de receber a bola, ver o lado contrário, rapidamente ligar corredores e fazer o jogo circular. Quando recebeu a bola, pensou estar sozinho, ou seja, não leu a pressão, e aí já era tarde."

Por décadas, o Brasil entendeu o número 5 como um caçador e Vítor Pereira descreve um pivô. Não por acaso, Jorge Jesus é famoso por provocar mais evolução em volantes, como o sérvio Matic, e centroavantes, como o paraguaio Óscar Cardozo. 

Funções de pivôs, ofensivo e defensivo, que precisam compreender os espaços, para jogarem e fazerem jogar.

Du Queiroz é esse tipo de jogador, mas formado como meia, adaptado a primeiro volante, elogiado por Vítor Pereira.

Por que Du Queiroz e Maycon jogam juntos? Por qual razão escolher dois volantes? Ora, é óbvio. Porque Renato Augusto e Paulinho não dão pressão suficiente, quando jogam mais vezes do que a idade permite.

E porque Maycon não está jogando de volante, mas de meia-esquerda. É incrível como nós, imprensa brasileira, ficamos admirados com a polivalência de Bernardo Silva, como centroavante, ponta ou meia no Manchester City, e não admitimos que um segundo volante de origem ocupe a função de armador, como acontece com Maycon.

O Corinthians não joga com dois volantes, ou porque Maycon joga na meia ou porque Du Queiroz teve formação de armador.

A pergunta, então, é por que razão o Corinthians não deslancha. Também está claro como água. Porque mudou de técnicos e de filosofias três vezes nos últimos doze meses e entregou a Vítor Pereira um quebra-cabeças de duas mil peças.

Vagner Mancini caiu por perder para o Palmeiras na semifinal do Paulista de 2021, Sylvinho foi demitido depois de perder para o Santos, em fevereiro, e o Corinthians só venceu dois dos últimos dez clássicos –os dois com Sylvinho.

Contra o Boca Juniors, é provável que Renato Augusto, Jô, Willian e Fábio Santos sejam titulares. Eles aumentarão o rendimento técnico, desde que a equipe responda do ponto de vista físico.

Ao falar sobre a evolução necessária a Xavier, Vítor Pereira salientou: "Ele vai crescer, mas são as dores do crescimento."

Uma boa equipe não se monta sem tempo, treino e derrotas. O Corinthians perdeu do Tolima antes de ganhar o mundo e o Brasil do penta perdeu de Honduras um ano antes do título.

Ninguém cresce sem dor.

Surpresas

O Santos é a mais agradável novidade do Brasileiro, líder com o mesmo número do Atlético, enquanto Palmeiras e Flamengo já desperdiçaram sete pontos. Lógico que a tabela vai se equilibrar depois da décima rodada, mas o Brasileiro exige respeito à tradição.

Champions

Manchester City x Real Madrid numa semana em que Gabriel Jesus mostrou que deseja jogar como centroavante e quer sair na próxima temporada. O Liverpool é favorito contra o Villarreal, mas City x Real Madrid será uma aula de futebol moderno na terça (26).

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