Cadu Pereira - Head de Inovação para Governos na Stefanini Brasil
A revolução digital está impactando em muitos aspectos a realidade humana, desde a economia, a ciência, a educação, a saúde, a sustentabilidade, a governança, a segurança e os estilos de vida.
Atualmente, a hiperconexão entre os atores, em virtude do uso intenso de tecnologias digitais, como dados, inteligência artificial e automações de processos, está definitivamente transformando as instituições, os modelos de negócio e as relações humanas na sociedade como um todo.
Resultado disso é o surgimento de sistemas com outros arranjos e ecossistemas produtivos emergindo, impulsionados pela grande demanda da sociedade por produtos e serviços inovadores.
Suas consequências sobre a produtividade, o consumo, o emprego, a desigualdade e outros determinantes do bem-estar social dependerão da formulação e implementação de políticas públicas para a gestão desta transformação tecnológica da sociedade.
Governos, assim como empresas e trabalhadores, precisam de estratégias eficientes, coerentes e abrangentes para aproveitar as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias em áreas essenciais como desenvolvimento humano, geração de trabalho e regulamentação dos mercados.
Diferentemente das revoluções industriais anteriores, as mudanças trazidas pela digitalização estão acontecendo em uma velocidade maior, reduzindo o tempo de resposta disponível para lidar com os novos desafios impostos.
O sucesso desta resposta determinará a capacidade do País na obtenção de ganhos de produtividade, criação de empregos e crescimento de modo inclusivo, sustentável e igualitário, resultando em acréscimos na qualidade de vida dos cidadãos.
São inegáveis os incrementos obtidos no bem-estar social em países avançados, ou seja, aqueles que aproveitaram o progresso tecnológico para acréscimo da expectativa de vida, produtividade, renda per capita e conforto de sua população, por meio da adoção de políticas públicas que promoveram rapidamente a adaptação aos novos modelos produtivos e sociais advindos do uso de tecnologias.
Porém, ainda não há nada pré-determinado sobre os efeitos dessa revolução.
Por isso, apenas as nações que souberem gerenciar este processo no sentido de incrementar a eficiência de suas empresas, promover a igualdade de seus cidadãos por meio da distribuição de renda e riqueza, gerar empreendimentos que operem as novas tecnologias, aproximando-as do dia a dia das pessoas, fomentar empregos de qualidade e obter maior eficiência na prestação de serviços públicos terão sucesso em melhorar o bem-estar de seus cidadãos.
No outro extremo, países que não estiverem capacitados a gerenciar o processo terão de conviver com vários problemas como o aumento do desemprego, incremento da desigualdade entre seus cidadãos, baixa competitividade de seus produtos e dependência tecnológica.
Políticas públicas desenhadas para aproveitar a revolução digital devem fortalecer seus efeitos positivos de forma abrangente, compreendendo as diferentes necessidades dos cidadãos, desde os mais vulneráveis aos estáveis, como também trabalhadores e autônomos, ampliando a promoção do bem-estar social e qualidade de vida.
A tecnologia pode trazer novas formas de inovação social e reduzir barreiras que existiam antes. Algumas dessas oportunidades no serviço público constituem-se em melhor acesso à informação, melhor interação entre os cidadãos e o Estado ou novas formas de engajamento e participação. Essa combinação entre inovação social e engajamento do cidadão é uma tendência emergente em políticas públicas.
O governo deve adquirir capacidades para pesquisa e design de soluções e melhorar sua capacidade de comunicação com os cidadãos, trabalhando seu engajamento e participação.
Dessa forma, as novas tecnologias se transformam em alavancas para o aperfeiçoamento da democracia e melhoria da confiança dos cidadãos com relação aos agentes públicos, propiciando um ambiente mais colaborativo entre estes atores e a entrega de cidadania com mais qualidade.
As políticas públicas devem promover a inclusão dos cidadãos na era digital, ampliar as oportunidades para os cidadãos e as empresas se adaptarem aos desafios gerados pela adoção das novas tecnologias, por meio de investimentos governamentais em áreas-chave, como educação, incentivos à criação de novas e modernas empresas ou pelo uso das novas tecnologias digitais nos processos do governo.
Assim, é possível prestar o serviço público de forma mais eficiente e confiável, eliminando barreiras ao desenvolvimento econômico e exercício da democracia.