Opinião

ARTIGOS

O reconhecimento conecta colaboradores

Os sentimentos permeiam o DNA das empresas e a sua construção de valores ao longo dos anos.

Shirley Fernandes - Sócia-diretora comercial da N1 IT Stefanini  

Desde pequenos, ainda crianças, descobrimos o quão importante é o valor de pertencer a algo ou a alguém. Aprendemos o que nos faz sentir acolhidos em casa, pertencentes a uma tribo, a uma família, a um povoado. 

Ou seja, é um sentimento de pertencimento, de proximidade. É primitivo esse sentimento, que não se atualiza mesmo com o mundo digital, a inteligência artificial e toda a tecnologia do mundo moderno. O sentir é humano, o sentir determina as nossas ações, e nossas ações é que trarão os nossos resultados.

Desses atos e resultados surge a busca pelo reconhecimento. E isso acontece em todos os campos: em casa, na escola e no trabalho, nesse último ainda mais. Pois o reconhecimento é algo que todos nós, nos mais variados cargos, setores e idades, buscamos, queremos e desejamos. 

Esse reconhecimento transcende o retorno financeiro, ele é o nosso pagamento emocional, é o sentir, é o pertencer que nos traz a mensagem de que somos úteis, produtivos.  

Quem nunca ficou feliz, alegre e contente de ouvir um parabéns, um obrigado ou mesmo um elogio pelo seu trabalho, pela sua atitude, por algo de diferente que foi feito, por mais simples que seja? Esse sentir não tem palavras para explicar. 

De acordo com um estudo realizado, foram elencados os cinco principais motivos de pedidos de demissão de funcionários. O primeiro entre eles foi a falta de reconhecimento.  

Um sentimento de não valorização, de rejeição, que traz uma desmotivação que gradativamente resulta em improdutividade e na tristeza em não estar atendendo às expectativas da empresa, da equipe, da chefia. 

Mas é sempre bom ter em mente que ninguém atenderá a todas as expectativas da empresa, e a empresa também não atenderá todas as expectativas dos colaboradores.

 Nesse caso, é necessário ter um equilíbrio entre esses dois atores, um olhar maduro e racional de como ajustar as expectativas, mas principalmente saber o porquê de tudo isso.

Os sentimentos permeiam o DNA das empresas e a sua construção de valores ao longo dos anos. 

E o mais interessante é que isso não é visível, ou mesmo mensurável em um dashboard, em um sistema, contudo, o olhar para o quanto isso faz a diferença na construção de um time forte e determinado é a chave para a mudança desse processo.

Criar o senso de pertencimento de alguém é dar ferramentas para que esse alguém extraia o seu melhor para desempenhar o seu papel dentro da empresa. 

Assim, ele poderá entregar com excelência e alinhamento mediante o propósito da empresa, com objetivos e metas estabelecidos para atingir resultados exponenciais.

 Empresas com esse mindset inovador e disruptivo atraem e retêm pessoas que levam a marca da empresa no peito, porque conectam tais pessoas com o seu propósito.

Hoje, mais do que nunca, as pessoas externam e experienciam o salário emocional que vem do reconhecimento, do pertencimento, do acolhimento dos funcionários, da chefia, da empresa em geral. Nem tudo é lindo. 

Tem colaborador que não coopera, não traz produtividade, aquele que reclama e vê problemas em tudo, e assim acaba comprometendo todos ao seu redor. 

Mas isso faz parte do desafio das lideranças em identificar, orientar, treinar e entender os espaços abertos que o colaborador tem para o novo.  

Porém, o contrário também acontece, líderes que mandam, com egos inflados, com um narcisismo alto e que acabam desmotivando o time. 

Diante de tantos desafios, as pessoas estão presentes em todos os lugares e processos. Assim, nos cabe gerar empatia, reconhecer, orientar e não tirar o foco obstinado dos resultados de crescer para contribuirmos ainda mais.  

Para finalizar, deixo uma reflexão da empresária norte-americana Oprah Winfrey: “Se você olhar para o que tem na vida, sempre terá mais. Se você olhar para o que não tem na vida, nunca terá o suficiente”. 

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