A insônia atinge uma grande parcela da população. Para quem também sofre de depressão e ansiedade, a insônia é ainda mais comum, pois as doenças estão relacionadas.
O médico psiquiatra Carlos Renato Periotto, entrevistado desta semana no programa Saúde em Alta Performance, explica sobre os casos.
Segundo ele, em torno de 50% das pessoas que tem quadros depressivos tem dificuldade para dormir. O percentual sobe para 75% quando se trata dos ansiosos.
"É muito comum as coisas virem casadas, pessoas que tem problemas de depressão ou ansiedade se queixam muito de dificuldade de iniciar ou manter o sono", disse o psiquiatra.
O médico ressalta que nem todas as pessoas que sofrem com insônia tem ansiedade ou depressão, e vice-versa, mas é importante identificar se o problema para dormir está relacionado com essas questões iniciais.
O psiquiatra explica que há casos de insônia eventual e insônia crônica.
A eventual é mais comum e "todo mundo pode ter". Ela ocorre menos de três vezes ao mês, desencadeada por uma situação passageira, de estresse, e acomete cerca de 50% da população, eventualmente.
Já a patológica acomete 10% da população e demanda tratamento.
"A gente diz que a insônia crônica é a que ocorre pelo menos três vezes na semana por mais de três meses, então são pessoas que vão precisar de ajuda porque o problema se consolidou, é recorrente e crônico", disse Periotto.
"Essa pessoa talvez precise identificar se ela tem problemas com ansiedade, com depressão, mudanças no estilo de vida, ajuda com medicação para dormir melhor, seria esse tipo de público alvo que a gente chama de insone crônico", acrescentou.
O psiquiatra disse ainda que não apenas outras patologias tem relação com o sono, mas os hábitos nocivos também são vilões do sono.
"O álcool tem o efeito de alivio da ansiedade, de relaxamento inicial, mas no restante da noite ele fragmenta o sono, então a gente desperta, acorda várias vezes, superficializa, não deixa a gente dormir um sono profundo, de fase 2 ou 3, um sono reparador que traria a sensação de uma noite bem dormida", explica o médico.
O cigarro também tem o mesmo efeito.
"Claro que estou falando para quem dificuldade para dormir. Algumas pessoas com hábitos ruins conseguem dormir, mas quem tem dificuldade para dormir, o cigarro gera hiperalerta, a gente fica ligado, eufórico, tem uma tendência de ficar acordado".
Outro problema comum é o abuso da cafeína. Segundo o médico, o café é um hábito comum e, mesmo com dificuldade para dormir, as pessoas em geral têm dificuldade de parar de tomar a bebida.
"A gente orienta a tomar até meio dia, ou uma dose leve de manhã, dose leve no almoço e depois evitar".
Por fim, as atividades físicas também são indicadas, pois, além dos benefícios à saúde de uma forma geral, geram cansaço e aumentam a fadiga, facilitando a dormir.
"A gente recomenda que a atividade física ocorra no máximo até umas 4, 5 horas antes de dormir porque aumenta a temperatura central e, aumentando a temperatura central, a gente aumenta o alerta vigília", explica.
O psiquiatra explica ainda que o tratamento varia de pessoa para pessoa, pois é preciso identificar o padrão de sono natural, avaliar hábitos e estilo de vida, entre outros fatores.
Na entrevista com o apresentador Cauê Marques, o profissional também ressalta qual a quantidade de horas de sono indicadas e porque varia de acordo com a idade.
Confira o programa completo abaixo: