luiz fernando mirault pinto - Físico e administrador
Aos domingos, os povos antigos (1984-1986) se entretiam vendo TV, com programas de sucesso como “Porta da Esperança”, com a presença de candidatos que enviavam cartas revelando seus desejos, necessidades ou esperanças em serem participantes e que seus sonhos fossem realizados, como a aquisição de uma casa, um carro, uma viagem, reencontrar parentes afastados, abraçar algum cantor ou celebridade da época.
Outro quadro era o “Sim ou Não”, em que um escolhido participava da troca de produtos que lhe eram oferecidos, mas na condição de permanecerem em uma cabine à prova de som, aceitando ou não a permuta entre objetos sem a possibilidade de saber de antemão do que se tratava, fazendo graça ao trocar um presente de valor por outro irrisório.
Sempre achei bizarro o comportamento do conjunto dos participantes e dos espectadores, ou emocionando a plateia pelas conquistas, ou desiludindo as torcidas compostas de pessoas estranhas. Tais quadros televisivos naturalmente eram cópias de programas bem-sucedidos em emissoras estrangeiras.
Lembrei-me desses fatos inusitados trazendo-os para a atualidade ao acompanhar o histórico e a semelhança com a terceira via, em que candidatos buscam a “Porta da Esperança Presidencial”, para serem admitidos não só na apresentação, nas pretensões, mas na disputa entre os demais concorrentes pelo desfecho favorável, apesar de contarem com a sorte, as graças do certame, a aceitação da plateia e dos espectadores.
Da mesma maneira, a escolha dos integrantes depende daquilo que apresentam, sujeitos a trocas absurdas, escolha dos caciques dos partidos, a desistência definida, a disputa em prévias cujos resultados não são respeitadas, o comportamento arrogante ou histriônico de alguns participantes, e que são capazes de aceitarem as comutações inesperadas como se estivessem alheios ou “ouvidos moucos”, ao expressarem um “sim” ou “não”, independentemente de ouvirem o entorno, a ponto de permitirem que adversários ocupem os seus lugares.