Elton Nasser - Advogado
Como Dom Bosco até hoje nos ensina, o mundo precisa de “bons cristãos e honestos cidadãos”. Por muito tempo, atrair os jovens para a política não era uma tarefa fácil, fosse por falta de interesse, falta de conhecimento ou desconfiança no sistema político.
É o que apontou o estudo “Panorama Político 2022: Opiniões Sobre Sociedade e Democracia”, elaborado pelo Instituto DataSenado, em colaboração com a Universidade de Brasília (UnB), e divulgado em março deste ano. Mas, então, a que se deve o recorde no número de jovens entre 15 e 18 anos que fizeram o título de eleitor em 2022?
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil ganhou cerca de 1.144.481 eleitores, quantidade muito acima das duas últimas eleições, quando foram emitidos 877.082 e 854.838 novos títulos, respectivamente.
É importante frisar que o voto é facultativo até os 17 anos, ou seja, esses jovens estão tomando a iniciativa objetivando a obtenção do título para participar das eleições de 2022.
Alguns fatores podem ter influenciado nessa grande adesão, como a divulgação espontânea de artistas e de personalidades da mídia que têm os jovens como público-alvo nas redes sociais.
A polarização política na qual o País se encontra nos últimos anos, a vontade de fazer a diferença e as campanhas promovidas por meio dos meios de comunicação pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral também colaboram para a adesão dos jovens.
A Resolução do TSE nº 23.659/2021 permitiu que eleitores com 15 anos tirem o título, mas só podem exercer o direito do voto aqueles jovens que tenham completado 16 anos até o dia do primeiro turno das eleições.
O interesse da juventude é importante para o atual cenário político do País, mas, para que isso continue acontecendo, a educação política deve ser incentivada desde cedo, e isso, infelizmente, ainda não é debatido nas escolas.
Pequenos ensinamentos podem fazer a diferença na percepção dessas pessoas que ainda estão em formação, como, por exemplo, o cumprimento dos deveres de obediência aos pais, respeito aos professores e funcionários da escola, conhecimento sobre fake news, o Senado e os demais Poderes, relação entre religião e política e questões sociais, bem como a defesa dos interesses da comunidade em que estão inseridas e os valores da cidadania.
Nesse contexto, o ensinamento de Dom Bosco é essencial: é preciso formar “bons cristãos e honestos cidadãos”.
A adesão dos jovens às eleições é positiva, e isso mostra que, quanto mais conscientização, maior será a participação dos cidadãos em geral. Afinal, qual jovem não gostaria de mudar o futuro do seu país?
Todo esse cenário nos traz a reflexão da possível inserção da educação política nas escolas, que mostre desde cedo a importância da conscientização política para a formação do cidadão e da sociedade. Afinal, a juventude engajada na política nos traz a esperança de renovação e de mudança em diversos âmbitos da sociedade e para o futuro do País.