Venildo Trevizan - Frei
Estamos a caminho de Deus. Esta afirmação pode não agradar a todos, embora cada qual seja livre em emitir conceitos próprios a respeito de qualquer fato, de qualquer assunto ou em qualquer circunstância. Por isso, permitam que eu também me sinta livre em expressar meus conceitos e minhas opiniões.
Vejo a sociedade atual um tanto ferida em sua maneira de viver e no relacionar-se com os demais. E mesmo constato o quanto está difícil as pessoas poderem livremente expressar seus pontos de vista a respeito de certas ideologias e, especialmente, certas crenças.
Existem, de um lado, fanatismos. E, de outro, indiferença. Torna-se difícil haver entendimento ou pelo menos respeito.
O desejável seria que isso pudesse acontecer nos mais diversos ambientes, entre todos os povos. E, principalmente dentro de nossas famílias, e cada qual possa se sentir livre em expressar suas convicções e suas crenças.
Apesar de tantas divergências, vejo com bons olhos o momento atual. Os últimos acontecimentos deixam em muitas mentes interrogações que necessitam de muita cautela em responder ou assumir. Com certeza, a dor de tantas perdas leva a cada um buscar uma luz que possa abrir e garantir um caminho que aproxime de Deus.
Uma coisa é certa: se não nos aproximarmos de Deus pelo amor, nos aproximaremos pela dor. Essa não perdoa ninguém.
Pode até provocar uma crise de consciência, deixando a pessoa em má situação ou em sentimento de culpa por não ter cumprido certas promessas, ou ainda por ter andado em más companhias.
O sentimento de culpa abre ferida não apenas no coração, mas especialmente em sua consciência, o lugar de Deus.
Sabemos que Deus sempre perdoa; o ser humano nem sempre, mas a consciência só perdoará quando entrar em si e reconhecer-se culpada e necessitada da misericórdia divina. E a tão sonhada paz permanecerá no desejo se não houver iniciativa corajosa em construí-la.
Mas, para quem possui sentimento de amor em seu coração, haverá a confiança que lhe assegure que Deus existe. E é ele que se coloca no caminho do ser humano. Não para interferir, mas para servir. Não é o ser humano que o procura. É ele que se revela.
Ele vem como o Bom Pastor à procura da ovelha que se encontra perdida. E, ao encontrá-la, a acolhe e a põe em seus ombros carinhosamente, com seu gesto de amor e misericórdia. Ama tanto, que não a deixa caminhar para não se ferir mais.
Cura suas feridas e lhe fala palavras de alegria e conforto. Esse é o Deus que precisamos encontrar, conversar, confiar e caminhar pelo mesmo caminho.
Purificar as ideias um tanto poluídas pelo pessimismo, ou pela descrença. Sabemos que a sociedade atual anda um tanto prisioneira de ideologias ateístas. Necessita de uma profunda purificação.
Tudo é questão de pensamentos bem ou mal-elaborados. Tudo depende de quais convicções permitimos andarem em nossas mentes e o tanto que estas influenciam nossa frágil fé. Não somos apenas matéria. Somos também espírito, e ambos necessitam ser alimentados e cultivados com prudência e perseverança.