Venildo Trevizan - Frei
Uma questão que inquieta a inteligência humana refere-se ao conceito que cada qual possui a respeito de si e a respeito dos demais. Seguramente, cada qual idealiza seu caminho, define suas linhas de pensamento e constrói seu lugar e seu mundo habitável. Com merecido orgulho, informa os demais que se sente feliz em saber viver e como conviver.
Com certeza, faz questão de definir também sua crença e seus princípios existenciais. Sente-se seguro de si, defendendo seus direitos e estabelecendo suas razoes de viver conforme sua maneira de pensar e de agir. Vive alegre e contente em seu mundo e em suas ideias
Triste e preocupante será a vida de quem esteja nesse mundo e não consiga estabilidade em seu pensar, não consiga definir sua personalidade. Sabemos o quanto é triste perguntar a alguém: “Onde mora e qual seu endereço?”, e a resposta ser: “Não tenho endereço, moro na rua”.
Triste ainda será perguntar: “Qual o seu emprego?”, ou “Qual o seu trabalho?”, e a resposta ser: “Não trabalho, estou desempregado. Vivo de esmolas”. Um ser humano vivendo em um mundo desumano e cruel. Um ser humano perambulando pelos caminhos da vida, sem objetivos e sem esperanças. História que se repete a cada passo.
Triste é também o viver de tantos jovens que cursam a universidade, estudam e se especializam, gastando mais do que poderiam, e acabam sobrando e correndo de porta em porta semeando currículos e colhendo decepções.
Porém, nem tudo é decepção e desilusão, existe esperança. Não podemos olhar a vida apenas por esse ângulo e dessa maneira. Precisamos criar coragem, unir forças e partilhar energias em prol de uma esperança, criando uma sociedade mais justa e mais solidária.
Nada de desânimo, nada de medo. Acreditar que é possível ser diferente para o melhor. Cada qual precisa saber que pertence à família humana, onde existe a necessidade de criar um ambiente de solidariedade e construir um ambiente fraterno, distribuindo tarefas de acordo com os dons de cada qual.
O Mestre dos mestres também viveu essa experiência de pertencer a uma comunidade, enfrentando dificuldades e até descrenças de alguns. Mas não desistiu de seus propósitos e de sua missão.
Respeitou aquilo que o povo comentava a seu respeito, não discutiu nem desprezou. Quis apenas saber de seus seguidores mais próximos o que estariam aprendendo a seu respeito.
Não buscou ser elogiado e aplaudido, buscou constatar o quanto eles o conheciam e o quanto estariam dispostos a apostar e a assumir a missão à qual fora encarregado. Ele se revelara muito próximo daqueles que não possuíam endereço e “não tinham onde reclinar a cabeça”.
Não tinha morada fixa, era peregrino como eles. Era livre para assumir e anunciar a todos que o Reino de Deus estava próximo. Havia necessidade de conversão e de penitência.
Como o Mestre, somos desafiados a fazer algo que seja válido para melhorar a vida na família e na comunidade. Somos desafiados em nossa fé. Somos desafiados em nosso testemunho em prol da justiça e da paz entre todos.