O Agronegócio brasileiro fica de olho nos movimentos chineses, na Guerra da Rússia e Ucrânia e quem estará na cadeira de presidente do Brasil.
Em relação à China, o maior comprador das commodities brasileiras, o saldo negativo, ou seja, o déficit da balança comercial chinesa é a maior do mundo. A demanda e a dependência dos produtos agro são aproximadamente 120 bilhões de dólares, e isso quer dizer que não há países capazes de atender essa demanda nos próximos 10 anos, por duas razões: i) os demais países já possuem suas demandas atendidas e, ii) a demanda chinesa cresce de 5 a 10% por ano, com o deslocamento da população da classe baixa para classe média.
A guerra entre Rússia e Ucrânia tem impactado todo sistema de oferta de alimentos, commodities, energia, fluxo financeiro e mercado internacional em todo mundo. Os dois países são importantes consumidores e produtores de alimentos e energia, e com as restrições financeiras aplicados à Rússia, o fluxo financeiro ficou praticamente nulo, e, em alguns casos limitados a 90%. No caso da Ucrânia, a produção e a logística de escoamento está comprometida, desconectando o país do mundo e reduzindo drasticamente a oferta dos seus produtos.
No contexto da guerra, a China vem comprando da Rússia, e estreitando os laços financeiros com sistema próprio de trocas e remunerações. Alguns ditos “especialistas” estão prevendo que a produção de commodities da Rússia e da China poderão diminuir a demanda dos produtos brasileiros.
Esses especialistas esquecem de analisar o tamanho do déficit da balança comercial, o crescimento da renda chinesa e do consumo e a diminuição da oferta global.
Com a produção da Rússia direcionando para a China, a dependência do Brasil não muda, o que é um alívio, pois a China vai pressionar os Estados Unidos para garantir o abastecimento de fertilizantes para o nosso país. Sem nossos alimentos, a insegurança alimentar aumenta e o aumento dos preços das commodities podem triplicar.
O Brasil se tornou o centro estratégico do mundo nos setores de energia e alimentos, com vantagem comparativa notória, cada vez mais iremos acompanhar um aumento dos investimentos estrangeiros diretos no país (IED) com foco nesses setores e na diversificação da matriz produtiva e energética.
Do ponto de vista político, os países compradores e investidores do Brasil e o produtor rural e também empresários em geral estão de olho na eleição. Há muita insegurança jurídica em relação à eleição, às mudanças de forma de gerenciar, nas propostas de governo e principalmente no trato com a economia.
A economia é simples de entender, a forma como foi desenhada a política econômica de cada país durante a pandemia, mostram os efeitos de:
- Fechar comércios e fluxos comerciais;
- Aumentar o crédito e dinheiro em circulação via estado;
- Parar a educação;
- Restringir exportação;
- Tentar frear preços via canetada.
Esses exemplos, fizeram o presidente do Banco Central americano aumentar juros e dizer que não conhecia a força da inflação. Fez o presidente da Argentina falar que cada vez que colocava mais dinheiro, mais inflação aumentava. Fez o presidente brasileiro trocar 4 vezes de presidente de uma estatal de economia mista e não conseguir efeitos nos preços.
Estamos observando o maior déficit educacional e milhões de pessoas não voltaram ao mercado de trabalho por falta de capacitação. Vimos um governador virar pó após fechar o comércio de uma cidade que se orgulha por ser o motor do Brasil.
A economia ensinou que, o setor com maior abertura econômica do país segurou a economia, aumentou sua produtividade, investe em tecnologia e tem pessoas dedicadas a produzir diariamente para aumentar a oferta de comida no Brasil e no mundo.
O Agronegócio está preparado para guerra, para a china e para a política eles já escolheram o melhor lado.