A pandemia do Covid-19 impactou as cadeias globais de abastecimento, os fluxos logísticos e a produção em todo mundo. No final de 2021 quando os números de casos e óbitos estavam em queda, as empresas e governos se viram num desiquilíbrio de oferta e demanda, que gerou preços altos e revisões para crescimento econômico mundial.
Em 2022 a guerra entre Rússia e Ucrânia tem impactado todo sistema de oferta de alimentos, commodities, energia, fluxo financeiro e mercado internacional em todo mundo. Os dois países são importantes consumidores e produtores de alimentos e energia, e com as restrições financeiras aplicados à Rússia, o fluxo financeiro ficou praticamente nulo, e, em alguns casos limitados a 90%.
No caso da Ucrânia, a produção e a logística de escoamento está comprometida, desconectando o país do mundo e reduzindo drasticamente a oferta dos seus produtos.
A economia é sistema vivo de incentivos e desincentivos, a causalidade entre a política econômica de cada país durante a pandemia e seus efeitos é um exemplo disso. Quando as estratégias foram:
- Fechar comércios e fluxos comerciais;
- Aumentar o crédito e dinheiro em circulação via estado;
- Parar a educação;
- Restringir exportação;
- Tentar frear preços.
Permitiram que a inflação remunerasse de forma direta os governos, sejam eles, municípios, estados ou federal via preços mais altos, e, tornasse o custo de vida maior. Essa causa e efeito foi generalizada entre os países, que hoje precisa resolver a inflação, com baixo crescimento econômico e ainda sofrendo com o desiquilíbrio entre demanda e oferta.
As soluções para esses problemas complexos são endereçadas via política monetária, que no Brasil é realizada pelo COPOM – Comitê de Política Monetária. O remédio mais utilizado pelo COPOM é o aumento da Taxa de Juros Selic, que aumento o custo dos recursos financeiros no mercado e desincentiva o uso desses recursos no momento atual.
Essa solução é um dos pilares macroeconômicos, e tem um efeito negativo no crescimento econômico de forma linear. No campo da microeconomia, as soluções em geral emergem da economia local, ou seja, do comportamento e das estratégias das pessoas e empresas em suas realidades do dia a dia.
As soluções locais permitem as pessoas criarem suas próprias formas de usar seus recursos, não influenciadas pelo Copom, mas, usando a experiencia e os produtos em casa, na comunidade e nos ativos que empresas e vizinhança criam para atender as necessidades locais.
Essa economia local cria oportunidades de emprego, de alimentação mais barata com fomento aos negócios da vizinhança, e ainda “cria” de forma informal um ecossistema de interações dinâmicas, produtivas e criativas que permitem promover um escudo micro para os problemas macro.