Gilson Cavalcanti Ricci - Advogado
Saudosos tempos idos! Campo Grande era uma pequena vila do antigo Mato Grosso, que começou a dar seus primeiros passos rumo ao progresso com a chegada da ferrovia e a construção dos quartéis do Exército.
Tais empreendimentos vieram para cá com a finalidade estratégica de defesa, por conta da proximidade da fronteira com o Paraguai, quando vivos ainda os resquícios da guerra.
A chegada do trem e dos quartéis engrossou o número de habitantes do pequeno povoado fundado pelo mineiro José Antonio Pereira, o que incrementou, a partir de então, o surgimento de uma cidade atrativa para o comércio, graças ao considerável mercado consumidor constituído por militares e ferroviários, como também pelo grande número de brasileiros oriundos de várias regiões brasileiras e de imigrantes estrangeiros, que aqui chegavam em busca de trabalho.
A cidade foi crescendo no centro de uma imensa região rica em pastagens e água, o que deu início à pujante agropecuária que surgiu em pouco tempo.
O número de agricultores e de criadores de gado cresceu de tal modo que não tardou para Mato Grosso se tornar um dos maiores produtores da agropecuária do Brasil. A euforia chegou ao ponto de ambas as classes produtivas – agricultores e pecuaristas – idealizarem em conjunto uma maneira de expandir seus negócios por meio de uma entidade associativa para tratamento dos interesses comuns dos associados.
Em 5/1/1931, foi constituído o Centro dos Criadores do Sul de Mato Grosso, criado por iniciativa do tenente César Bacchi de Araujo, na época prefeito de Campo Grande.
Em 26/8/1933, foi realizada a 1ª Feira Agropecuária de Amostras de Mato Grosso, ocorrida no pátio do Colégio Osvaldo Cruz, da qual participaram criadores de gado, lavradores e industriais.
A feira foi um grande sucesso de público e de expositores, tanto pela qualidade do gado exposto como pelos vários produtos industrializados no estado: bebidas, artefatos de couro, redes e artesanatos cuiabanos, etc.
Os antigos moradores de Campo Grande recordam a euforia na cidade nos dias da Feira de Amostras, à qual comparecia grande número de pessoas da cidade e de fora, que se encantavam com tudo o que viam ali exposto, como o vistoso porte do gado e a variada qualidade dos produtos demonstrados. Era uma festa!
Nas diversas barracas, degustavam arroz carreteiro, churrasco com mandioca, pão mandy e vários pratos típicos das colônias estrangeiras radicadas em Campo Grande: sobá, sopa paraguaia, quibe cru e também doces típicos da terra, especialmente a “cachorrada” (doce de leite). Das bebidas, destacavam-se o guaraná Tupi, o licor de pequi, Yamagutti e a cerveja de casco verde.
Com a divisão do estado, a Feira de Amostras passou a denominar-se Exposição Agropecuária de Campo Grande, a atual Expogrande, que continuou com o mesmo sucesso da outra, todavia com maior intensidade, mormente ao mudar-se para o Parque Laucídio Coelho, onde existe espaço para acomodar maior número de pessoas e amplo estacionamento.
Importante observar que a Expogrande, desde sua inauguração até a data de sua arbitrária interdição, sempre foi o único empreendimento econômico e social de Campo Grande com referência nacional, mormente nos estados brasileiros e países limítrofes a Mato Grosso do Sul.
Ali ocorreram memoráveis noitadas com a nata da sociedade campo-grandense, com shows de artistas de renome nacional e internacional, danças folclóricas e outras ricas atrações culturais, que marcaram a exposição como um imponente marco histórico de Campo Grande, onde podia se espairecer com segurança e conforto.
Com a chegada da esquerda socialista ao governo estadual, a Expogrande passou a ser atacada pelos vermelhos contra a classe produtiva rural do Estado. Os instigadores de índios contra fazendeiros encontraram um álibi espúrio para extinguir a Expogrande: a “Lei do Silêncio”.
Conseguiram interditá-la, motivo pelo qual foi obrigada a paralisar temporariamente, em prejuízo do povo de Campo Grande. Todavia, o ilustre advogado e pecuarista Dr. Jonatan Barbosa, presidente da Acrissul, que tem trabalhado com vontade férrea pela pecuária de MS, venceu a batalha judicial, trazendo de volta o maior espetáculo de Campo Grande: a tradicional “Exposição”.