Venildo Trevizan - Frei
Um grande desafio se instala no coração e na mente de quem deseja encontrar um amigo. Sabemos que companheiros podem ser muitos.
Dependendo dos interesses sociais, dos interesses políticos ou dos interesses materiais, podem ser muitos companheiros. Pois é ao redor deles que o ser humano organiza suas estratégias e seus empreendimentos.
Não será difícil encontrar quem tenha os mesmos interesses, as mesmas ambições e os mesmos projetos. Encontra-se disponível com a finalidade de conquistar o mercado dos negócios e dos empreendimentos, cada qual estudando e analisando com o objetivo de usufruir lucros e, consequentemente, enriquecimento.
Isso acontece em toda a sociedade, ou em todo mercado de trabalho, ou em outras organizações que possuam objetivos e interesses voltados para o sucesso na vida. Mas a sede maior e o desejo mais profundo encontram-se em alguém que deseja profundamente encontrar um amigo sério e sábio em lugar de companheiros interesseiros. Companheiros podem ser muitos. Amigo, um só.
E quem encontrar esse amigo terá encontrado um tesouro. Não existe no mundo riqueza maior do que ter encontrado um amigo. Os livros são muitos a descrever sobre as virtudes e os valores que revelem um coração amigo. Os poetas e os artistas também entoam poemas e obras de arte enaltecendo o valor e a beleza de um coração amigo.
Apesar dessas belezas e grandezas, o mundo continua suas buscas por um amigo verdadeiro. Dificilmente conseguirá esgotar o conteúdo do valor de um amigo.
O Mestre dos mestres, com sua alma apaixonada pelo amor do Pai, abre seu coração e acolhe a todos quantos estejam na busca desse mesmo amor divino, fortalecendo a esperança humana em saborear a força e a grandeza desse amor.
E é ele quem revela essa beleza da intimidade com o Pai quando os discípulos, motivados pela presença e o testemunho do Mestre, suplicam: “Senhor, ensina-nos a entrar nessa intimidade”. E o Mestre responde: quando quiserem sentir a força e o poder que emanam desse coração paterno, digam: “Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome!” (Lc. 11,1-13).
Esse é o caminho que leva ao coração do Pai. Essa é a maneira de descobrir o quanto Deus quer bem. E revela o quanto é importante um relacionamento que seja gratuito e íntimo. Dirigir-se a ele na espontaneidade de uma pessoa amiga.
Em geral, quando oramos, é porque precisamos de alguma coisa, de algum favor, de alguma graça ou de algum milagre. Estamos longe de Deus. Não o temos como amigo. Tratamos como um profissional das graças divinas. E somos exigentes quando queremos alcançar aquilo que solicitamos.
Poderão surgir dúvidas e questionamentos. Poderá surgir crise no campo da fé. Não tenha medo! Confie na misericórdia divina. Confie na sua palavra e na sua bênção. Sempre haverá uma luz a indicar e assegurar o caminho.
Mesmo que haja quem viva sob a nuvem escura da cegueira, que não permite ver a beleza do olhar de Deus, sentir o pulsar do coração divino e partilhar a suavidade de sua alma, mesmo assim, a felicidade existe e a paz é possível.