Opinião

FUTEBOL

Atuar em várias posições surpreende e muda o jogo

Confira a coluna do PVC desta segunda-feira (25)

A entrada de Gabriel Menino como meia-armador, substituindo a Raphael Veiga, simboliza o trabalho tático de Abel Ferreira. O técnico português gosta da polivalência.

Menino poderia entrar como volante e adiantar Zé Rafael, ou ocupar a ponta direita e puxar Scarpa para a armação. Abel prefere ter mais jogadores com capacidade de jogar em múltiplas funções.
Menino substituiu Raphael Veiga e jogou na sua função. Fez o gol da vitória.

Polivalência não é exclusividade do Palmeiras e nem sempre dá certo. Rogério Ceni perdeu Wellington, cansado, não tinha Reinaldo, machucado, pediu a Marcos Guilherme jogar como ala e o improviso cedeu o espaço para Pedro Junqueira cruzar para o gol de empate do Goiás, de Pedro Raul, aos 46 do 2º tempo.

Saber ocupar mais de uma posição é importante desde que Telê Santana jogava como ponta, às vezes como centroavante ou meia-direita. Mesmo que, de vez em quando, pareça fora de moda no Brasil. "Ele quer jogar só na extrema esquerda? Eu também estar a treinar o Liverpool." Lembra-se da resposta de Vítor Pereira sobre Roger Guedes?

O Palmeiras da polivalência é também das perdas de pontos em casa. O assistente João Martins contou, depois de vencer o São Paulo, no Morumbi, que Abel Ferreira perguntou aos jogadores o que é necessário para ganhar o Brasileiro: 

"Vencer em casa", ouviu. Dos 18 pontos perdidos pelo campeão do 1º turno, dez foram no Allianz. Está diferente do plano original.

Mas a distância no final do primeiro turno é confortável. Não tanto quanto a do Corinthians 2017, a maior de todos os tempos, ao final da primeira metade do campeonato. Aquele time de Fábio Carille fez duas coisas inéditas: oito pontos de diferença para o vice-campeão do turno. 

É o time que mais jogou junto na história corintiana, empatado com o da Democracia Corinthiana: 13 vezes.

Era improvável que Cássio, Fágner, Balbuena, Pablo e Arana; Gabriel e Maycon; Jadson, Rodriguinho e Romero ; Jô tivessem tanta facilidade naquele 1º turno. 

Tão surpreendente quanto terem jogado o mesmo número de partidas, juntos, do que Solito, Alfinete, Mauro, Daniel González e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Ataliba, Casagrande e Biro-Biro.

Aqueles oito pontos de vantagem deram fôlego para um 2º tempo ruim, vencido pela Chapecoense. 

A lembrança dá mais valor para esta campanha do Palmeiras, que analisa rodada a rodada o fôlego restante de um time preparado para alcançar o ápice físico em fevereiro, por causa do Mundial. 

Mesmo assim, suporta o alto nível pedido pela extenuante temporada brasileira.

No Allianz Parque, Mano Menezes substituiu melhor do que Abel Ferreira. O colorado trocou Wanderson por Alemão, algoz de Weverton no 2º tempo.

Abel colocou Menino como meia e sua presença na área valeu o gol da vitória. Por outro lado, tirar Raphael Veiga e Dudu, o melhor em campo, foi um risco num clássico que já se anunciava duríssimo.

Claro que Abel calcula a parte física. Perdeu Rony por um mês, porque esperou cinco minutos a mais para tirá-lo do jogo contra o Fortaleza. E, com todas as dificuldades, o Palmeiras venceu um jogo que pode ser decisivo no final da campanha.

A dor de Rogério

O São Paulo sofreu 41 finalizações, 19 no alvo e levou oito gols nas últimas três rodadas do Campeonato Brasileiro. Rogério lamenta o número recorde de empates (11) e os gols fáceis sofridos pela defesa. Claro que isto tem a ver com os desfalques e improvisações. Mas a equipe precisa de melhorar rapidamente.

Subida brasileira

Raphinha foi o craque da vitória do Barcelona sobre o Real Madrid, em amistoso disputado nos Estados Unidos, e eleva o nível de titularidades na Europa de protagonistas do Brasil na Copa do Mundo. Não é só Neymar no PSG. Tem Vinicius Junior no Real Madrid, Raphinha no Barcelona, Gabriel Jesus no Arsenal.

 

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