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Fogo à vista

O Pantanal ainda não se recuperou de suas cicatrizes, e o fogo aumenta novamente

Nelsinho Trad - Senador  

O bioma do Pantanal ocupa cerca de 1,8% do território nacional e é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, sendo considerado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Reserva da Biosfera Mundial.

Em 2020, o Pantanal sofreu a estiagem mais severa dos últimos 47 anos. Dos focos de incêndio registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 65% ocorreram no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no estado de Mato Grosso. 

Com objetivo de avaliar, sugerir e aprovar medidas emergenciais para buscar, em parceria com os governos locais e com o governo federal, soluções para tão grave situação, foi instalada, no mesmo ano, a Comissão Externa Temporária de Acompanhamento das Ações de Enfrentamento aos Incêndios no Pantanal, a CTEPANTANAL, da qual fui relator.

No ano passado, o bioma teve um número menor de focos de incêndio. Porém, este ano, há uma seca severa na região, e o número de focos registrados já ultrapassa o do ano de 2021. Mato Grosso do Sul acaba de declarar estado de emergência por 180 dias em 14 municípios por causa de incêndios no Pantanal. 

Segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até o dia 20 de julho, foram mais de 121 mil hectares queimados no Pantanal sul-mato-grossense, 34% a mais do que em 2021.

Considerando os incêndios florestais que afetam o Pantanal e sendo necessárias ações para integrar esforços na execução de medidas de prevenção, combate, contenção e dissipação dos focos de incêndio, chamo a atenção do Congresso Nacional e de toda a população ao trabalho do Instituto Homem Pantaneiro. 

Com a missão de “preservar e conservar o Pantanal, resguardando as características físicas, biológicas e culturais”, ele se junta a parceiros estratégicos, por meio de um sistema de inteligência que auxiliará no monitoramento de áreas florestais, permitindo a rápida detecção de focos de incêndio. Esse mecanismo permitirá que medidas necessárias sejam tomadas a tempo.

O software desenvolvido utiliza inteligência artificial por meio de visão computacional que detecta focos de incêndio de maneira automática em até três minutos. Os pontos de instalação foram selecionados de forma estratégica. 

Assim, será possível cobrir uma área de até dois milhões e meio de hectares. A operação de instalação desses sistemas exige uma logística específica e uma operação coordenada, mas depende de apoio aéreo.

Em resposta ao nosso alerta, o Instituto Chico Mendes viabilizou o transporte para a instalação de cinco câmeras em torres de comunicação. 

Elas operam com inteligência artificial e são capazes de detectar, em no máximo três minutos e com alta definição, o surgimento de focos de calor e de fumaça. Um alerta é enviado à central, que fica na sede do instituto em Corumbá, e a área passa a ser monitorada.

Mas essa agilidade perde o sentido se não for possível agir. Agora, contamos com a sensibilidade do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama para disponibilizarem o transporte aéreo de brigadistas até os focos de incêndio nos meses de agosto e setembro. Como dizemos na medicina, de que adianta um diagnóstico brilhante de uma doença em um paciente se não puder tratar, curar?

O Pantanal ainda não se recuperou de suas cicatrizes, e o fogo aumenta novamente. Está à vista uma nova tragédia, e não queremos que ela se repita. 

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