Venildo Trevizan - Frei
O ser humano está nesse planeta Terra não como enfeite, mas como alguém especial com a tarefa de administrar os demais seres e coordenar os fenômenos da natureza para o bem e a harmonia entre todos. E esse ser humano não poderá se considerar absoluto, pois ele também, como os demais, depende do amor e da disponibilidade de quem o criou.
O belo em tudo isso será a capacidade que cada qual possui no sentido de colaborar na boa convivência e na administração alegre dos bens que pertencem ao Criador. Tudo caminha por um caminho que sai das mãos do Criador e retorna um dia para os braços do mesmo Criador.
Ninguém poderá se considerar proprietário. Viemos de Deus e a ele retornaremos. Instruídos em favor dessa verdade, aprenderemos a respeitar uns aos outros e a partilhar as tarefas pessoais em função da vocação a que somos chamados.
Essa vocação será o sinal marcante a distinguir uns dos outros em função daquilo que assumir para o engrandecimento de sua fé e para, alegremente, sentir o prazer e a satisfação de estar colaborando no aperfeiçoamento do Reino de Deus e na realização plena de seus dons.
Não nascemos para este mundo. Somos chamados por Deus a passar por esse mundo fazendo o bem uns aos outros, no sentido de contribuir e participar na realização plena de cada um, sem distinção de cultura, cor e crença.
Nessa obra não haverá lugar para o ciúme nem para a inveja. E não haverá lugar para preferências ou divisões. Só haverá lugar para a partilha e para a comunhão. Ninguém deverá se considerar juiz de ninguém. Somos peregrinos, somos caminheiros rumo ao eterno.
Não há motivo de alguém se considerar com mais direitos. É preciso alimentar essa grande e suprema verdade de que perante Deus somos todos iguais.
E essa igualdade deverá ser a força que nos une no mesmo amor, na mesma solidariedade e na mesma delicadeza.
Somos peregrinos, somos provisórios. O definitivo virá quando passarmos ao eterno. Felizes, contentes e alegres por sermos acolhidos e amados por Deus Pai. Servidos em sua generosidade e carinho como filhos e filhas.
Somos caminheiros alimentados pela esperança de um dia encontrar e viver o eterno amor de irmãos e irmãs. Pela nossa frente, há um caminho a ser percorrido, há um amor a ser construído, há uma esperança a ser concretizada.
Pela nossa frente, há um irmão a ser socorrido, há outro a ser orientado, há outro a ser amparado, há outro a ser resgatado e há outro a ser salvo. Pela nossa frente, há alguém que cansou de caminhar e necessita de mãos firmes e seguras para reerguê-lo.
Há outro caído por não crer em si e em Deus, que necessita de uma palavra que o reanime e lhe ofereça segurança na fé e paciência nas dúvidas.
Pela nossa frente, encontram-se drogados, marginalizados, destruídos afetivamente, desempregados, alcoólatras, desiludidos e violentados pela incerteza de possibilidades. São seres humanos necessitados de uma luz.
Nós somos portadores dessa luz, iluminados pela alegria e enriquecidos pela paz. Chegou a nossa vez. Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.