Opinião

CAMPO GRANDE

Inflação: elevada, mas com sinais de desaceleração

Percebe-se que, com o aumento da taxa Selic de 13,25% a.a. para 13,75 a.a., o Banco Central tenta segurar a inflação

Giovanna Miranda Mendes - Doutora em Economia

A inflação tem sido um tema recorrente nos noticiários do Brasil e do mundo desde 2021, com as mudanças da estrutura de consumo e produtiva com a Covid-19, em escala global, intensificada pela Guerra da Ucrânia no início deste ano. 

Esses fatores causam impacto nos preços em geral, o que chamamos de inflação.

Mas, o que é inflação? A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. Por exemplo: os produtos que mais sofreram reajustes nos últimos meses, e que chamaram mais atenção dos consumidores brasileiros, foram a gasolina, a carne e, mais recentemente, o leite. 

Compreender o que causa a inflação é fundamental para que se tenha controle sobre os preços.  

Dessa forma, há a inflação de demanda, que ocorre quando o consumo aumenta sem o acompanhamento da oferta (escassez de oferta), e a inflação de oferta, quando há escassez de matéria-prima nas cadeias produtivas ou, ainda, aumento dos custos de produção. 

Por fim, há a inércia inflacionária, que ocorre quando os preços se ajustam no presente com base nos preços do passado, algo recorrente no Brasil nos anos 1980 e início de 1990.  

A inflação atual é uma mistura de inflação de demanda e de oferta, inicialmente causada pelo isolamento social, quando as famílias tiveram de ficar mais tempo em casa, reduzindo drasticamente o consumo, mas seguida por um rearranjo das cadeias produtivas em todo o mundo, que, para evitar o excesso de oferta e a queda de preços, diminuíram a produção, o que provocou a escassez de diversos produtos e materiais, como caixas de papelão, vidros, materiais da construção civil e chips eletrônicos.

A grande preocupação é com a estabilidade dos preços, para que não haja um descontrole que corroa o poder de compra das famílias e para evitar que o Brasil volte a viver o que aconteceu nas décadas de inércia inflacionária, cujo controle dos preços se tornou ainda mais complexo dada a ineficácia da política monetária.

Uma das formas de garantir a estabilidade econômica, ou seja, de controlar a inflação, é compreender as ferramentas da política monetária e sinalizar, por meio de expectativas, aos consumidores, empresas e investidores que tomarão decisões baseadas nessas expectativas e nos indicadores de inflação divulgados mensalmente ou a cada semana nos boletins do Banco Central, chamados de Boletim Focus.  

O órgão responsável pelo controle da inflação no Brasil é o Banco Central, que acompanha os indicadores de preços, bem como das atividades econômicas, como PIB e desemprego, além do comportamento de variáveis do exterior. 

Esse acompanhamento é feito em intervalos de 45 dias, quando há reuniões do Comitê de Política Monetária – Copom para avaliar a inflação e definir a meta da taxa Selic, um instrumento importante da política monetária.

Dessa forma, percebe-se que, com o aumento da taxa Selic de 13,25% a.a. para 13,75 a.a., o Banco Central tenta segurar a inflação. 

É de se esperar que haja um recuo dos preços nos próximos meses, sinal de que a política monetária ainda é eficiente, mas não há esperanças de que a inflação encerre este ano no centro da meta, isso é, próxima a 3,5% a.a. (entre 2% e 5% a.a.), uma vez que boa parte da inflação atual é resultante da escassez da oferta, sem contar que é preciso tempo para superar os efeitos da pandemia, os lockdowns que ainda são determinados na China e aguardar a retomada das entregas de grãos represadas pela guerra da Ucrânia. 

Até o momento, a expectativa para a inflação em 2022 é de 7,11% a.a., e a previsão é de que apenas em 2023 caia para 5,36%, conforme o Boletim Focus divulgado no dia 8.

A inflação é um fenômeno global, e fatores externos, como desvalorização do dólar ou aumentos em taxas de juros em países mais desenvolvidos que o Brasil, também podem repercutir no aumento dela. 

Considerando o impacto dos altos índices inflacionários sobre o endividamento das famílias, torna-se importante o acompanhamento da inflação, pois piora a qualidade de vida e o bem-estar das famílias, principalmente as de classe mais baixa, contribuindo para o aumento da fome e da miséria no País. 

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