Venildo Trevizan - Frei
Uma verdade que precisa ser vivida e propagada é aquela que diz respeito à identidade de cada ser humano. Somos dotados de dons que garantem uma vida saudável e eterna.
São capacidades muito pessoais e muito sagradas. Não adianta querer isolar-se em seu mundo. Não adianta querer buscar modelos a imitar. Os dons existem em função da partilha e da solidariedade.
Um princípio que orienta o relacionamento com as demais pessoas e com a natureza diz que tudo quanto inquieta a mente precisa ser trabalhado em função de uma escolha permanente entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o mentiroso.
E surge um desafio: encontrar o caminho que leve a descobrir a sabedoria da humildade. Não poderá haver alegria enquanto não repousar seus sentimentos no coração amável e misericordioso de nosso Deus e Criador, de nosso amigo e salvador.
Enquanto isso não acontecer, continuará peregrinando pelos caminhos da angústia e da perturbação. Continuará duvidando de Deus .
Continuará duvidando de sua crença. E continuará buscando no vazio da alma algo que se faça luz nessas trevas tão tenebrosas e desafiantes.
Mesmo que não consiga ou não queira ver mais claro o caminho proposto, Deus continuará sendo a verdade que, talvez, não queira aceitar. Se em um dia de trevas alguém lhe falar que acima das nuvens escuras o sol continuará iluminando, não será proibido alguém duvidar. E, assim mesmo, o sol continuará sua tarefa.
Assim é Deus. Ninguém é obrigado a crer nele. Mas isso não significa que não exista. Para negá-lo será preciso admiti-lo. E ele continuará mandando chuva sobre bons e maus; e fará o sol brilhar sobre justos e injustos.
Creia ou não na sua existência e na sua presença, ele não fará distinção de pessoas ou de condições de vida. E esse mundo pertence a ele. Mas ele o entrega sob a responsabilidade dos humanos a fim de que aprendam a relacionar-se como irmãos no mesmo caminho.
Feliz de quem entender isso e, sob a luz da humildade, aceitar e assumir essa missão de servir os necessitados que estão em busca de esperança.
Feliz de quem, como diz o Mestre dos mestres, aceitar colocar-se nos últimos lugares, podendo, assim, olhar a quem esteja realmente necessitando de solidariedade.
O Mestre revela o que acontecerá aos que fizerem isso. Serão premiados com o convite: “Amigo, passe mais para cima. Então, será honrado diante de todos os demais convidados” ( Lc. 14, 7-14).
Essa será uma recompensa diferente. Não receberá troféus, nem diplomas e nem nome de praças. Receberá a certeza de que, por viver na humildade, lhe será reservada a glória dos eleitos.
Essa será a recompensa para quem descobriu a sabedoria da humildade. Essa será a recompensa de quem, mesmo passando por tribulações, mantém a fé viva, a confiança sólida e o amor generoso em seu viver e agir.
São seres humanos desapegados dos elogios. Não buscam títulos. Buscam solidariedade. Não buscam recompensas. Buscam alegria em servir. E a recompensa virá como dádiva divina, pois Deus jamais se deixará vencer em generosidade.