Venildo Trevizan -Frei
A vida de cada ser humano é uma dádiva rica em opções e fecunda em sinais que apontem para possibilidades. E essas estão disponíveis a todos quantos se derem conta das riquezas a serem cultivadas.
Para poder assumir e realizar será necessário efetuar uma escolha entre tantas. E essa escolha exigirá deixar de lado ou desfazer-se de alguns inconvenientes que possam ameaçar certas iniciativas.
Nem sempre será possível fazer como se quereria. Será a consciência que vai mostrando o caminho a seguir. Pois não somos filhos de um passado.
Somos autores de um presente que nos projeta ao futuro, mesmo sendo incerto. Mas será necessário arriscar e acreditar em algo que desafie nossos talentos.
Não deverá fazer parte de nossa bagagem o medo. Serão a coragem e a vontade de acertar que vão fortalecendo a fé e o amor a uma causa nobre, por estar alimentada pelo otimismo e pela esperança.
Terão de ser pessoas realistas. Pessoas que não se deixem seduzir por ilusões, mas edifiquem projetos fortes e claros em benefício da família e da comunidade.
Não aventurar. Não apenas sonhar. Olhar a realidade de frente. Assumir com entusiasmo e convicção o ideal traçado e a vocação escolhida.
O Mestre dos mestres, em sua passagem por este mundo, mostrou claramente as exigências que se fazem necessárias na possibilidade de uma vida feliz. Não esconde a importância de se desfazer até de certas ligações afetivas para poder livremente seguir o caminho da felicidade.
Ele é claro ao mostrar que em seu caminho só haverá lugar para quem decidir segui-lo, sem se impressionar com os desafios. Em sua convicção, ele afirma: “Se alguém quiser vir a mim, deverá dar mais amor a mim do que a seu pai, ou a sua mãe, ou a seus irmãos. Quem não fizer isso, não poderá ser meu discípulo”. E acrescenta:
“Quem não carregar sua cruz e me seguir, não poderá ser meu discípulo” (Lc. 14,25-33).
Essa atitude poderá dar a impressão de que o Mestre está tomando uma decisão um tanto radical. E, com isso, dificultar a salvação. Mostra-se radical em suas exigências. Talvez, com isso, crie dificuldades aos mais fracos e aos menos instruídos nas ciências humanas.
Na verdade ele mostra, isto sim, que as verdades da parte de Deus são claras e seguras. São profundas e sérias. Ele tem direito de traçar normas e condições para todos quantos desejem segui-lo e participar de suas graças e bênçãos.
Deus não brinca com os sentimentos humanos. Trata a todos e a cada um com o mesmo respeito e com o mesmo amor. Não faz distinção e nem diferença. Quer sempre o melhor e o mais confortador,
Deus é justo. Deus é bom. Deus é amável. Deus é humano. Nele podemos confiar. Nele podemos crer. Ele trata a todos como filhos e filhas. Respeita as diferentes maneiras de a ele se dirigir. Se alguém duvidar dele, continua o mesmo. Se alguém o despreza, ele respeita. Se alguém não crê, ele continuará amando.
O homem e Deus. Dois mundos distintos, cercados de mistérios, iluminados pela esperança, alimentados pelo amor e vivendo em comunhão permanente rumo ao eterno.