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A sogra, a nora e o papa divertido

O retrato do artigo é a nossa opinião

Antonio Carlos Siufi Hindo - Promotor de Justiça aposentado

Os grandes canais televisivos do País, sem exceção, só noticiam em suas ações diárias os fatos que desnudam o sofrimento, a dor e o luto. 

São os assaltos à mão armada, os feminicídios odiosos, os estelionatos, o narcotráfico e a disputa insana de seus líderes pelos territórios nos grandes centros, a sua participação nos certames públicos – como as creches –, o transporte, as habitações ilegais que são construídas em terrenos irregulares e comercializadas à vista e sob o silêncio das autoridades constituídas, entre outras ações criminosas que assustam a todos.  

Esse é o leque amargo do noticiário que somos obrigados a assistir diariamente. Não pode ser crível que em um País em que o próximo Censo demográfico apontará que já somos mais de 220 milhões de habitantes consiga produzir somente esses fatos desagradáveis. 

Não, resulta impossível acreditar nessa assertiva. Temos ações concretas e generosas que melhoram a vida dos nossos nacionais em todas as áreas do conhecimento humano. Aqui não são palavras soltas formatadas pelo articulista.

Fatos concretos lhes dão sustentação. Somos o maior parque industrial da América Latina, possuímos os melhores recursos nas áreas de saúde, educação e também no campo tecnológico. Somos o celeiro do mundo. 

Disso tudo resulta que não possa não existir algo de útil e agradável a ser noticiado e que nos encha de esperança no futuro e nos contagie de uma alegria grande no presente. Existe uma resposta. As coisas boas não são noticiadas. Não dão audiência.  

As pessoas em todo o quadrante do território nacional estão acostumadas com as ações violentas. Pensam que elas alcançam apenas os outros. Incorrem em lapso evidente. Todos nós podemos ser vítimas dessa desgraça. 

Mas, dentro desse quadro horroroso, temos surpresas agradáveis oferecidas pelo papa Francisco. Colocações que despertam o sorriso e a descontração e estreitam entre todos nós uma discussão sem igual. Explico melhor. 

Há dois anos, quando o pontífice peregrinava pelos Estados Unidos da América, foi surpreendido por um brasileiro que lhe pediu orações para o Brasil e a salvação do povo brasileiro. Francisco foi rápido na resposta. 

Não tem jeito, meu filho, disse Sua Santidade. O brasileiro não tem salvação porque é “cachaceiro e de pouca oração”. Claro que foi uma brincadeira apenas. Algo que produziu discussões alegres, festivas e igualmente surpreendentes.

Recentemente, o pontífice voltou a oferecer outra brincadeira, agora, no campo familiar, ao dizer para as sogras tomarem cuidado com a “língua” para não deixar vulnerável a célula social mais sólida que o cristianismo construiu. 

Não conheço o contexto da sua colocação. Mas qualquer que seja a interpretação que se queira dar ao fato, o certo é que não existe nada de ofensivo a esse membro importante da família que se conquista no ato da sua constituição, embora a dureza da colocação pudesse ter sido diferente. 

As sogras serão sempre amadas e questionadas pelos seus protagonistas. Não importa se pela nora ou pelo seu genro. Foi assim no tempo de Abraão, de Isaac e de Jacó, e certamente não resulta diferente nos dias que correm. O que o pontífice quis dizer é algo singular, recheado de verdade. 

O amor da sogra pelos seus filhos resulta em algo inesgotável, perene, imorredouro e santo. A defesa intransigente do rebento nascido das suas entranhas resulta em algo santificado pela graça de Deus. Já o do homem pela sua esposa, e desta pelo seu marido, não. Todos sabem como a relação conjugal começa.

Todos sabem como termina. As exceções existem. Essa é a colocação que o articulista quer submeter à apreciação dos leitores. 

Trata-se de um tema polêmico e desafiador. Em razão dessas circunstâncias especialíssimas, as discussões precisam resultar acompanhadas da sensibilidade entre os protagonistas, para entender e compreender melhor as diferenciações concernentes ao enfoque com que se queira brindar o tema. 

Quando esse fato resulta enfrentado sob essa óptica, fica mais fácil afastar os atritos pequenos, insignificantes, pífios e sem nenhuma outra importância digna de registro que possam concorrer para a destruição da família, que precisa ser amada, respeitada e, especialmente, santificada aos olhos de Deus. 

Foi isso o que Francisco quis nos oferecer. Não foi outra coisa. O retrato do artigo é a nossa opinião. Não valeria de nada se a imprensa séria e que informa os seus leitores não oferecesse essa oportunidade preciosa de torná-la pública para apreciação dos nossos iguais.  

Essa é a interpretação lógica e racional que esposamos. O pontífice não cometeu nenhum erro de interpretação. Apenas abriu um debate para os corajosos. Será sempre o líder espiritual dos católicos e o estadista respeitado no concerto das nações civilizadas.

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