Opinião

ECONOMIA

As exportações de carne e a fome no Brasil

Confira a coluna do economista Michel Constantino desta terça-feira (13)

Judson Marinho

13/09/2022 - 00h05

Nesta semana, o candidato a presidência da república pelo Partido dos Trabalhadores – PT definiu uma estratégia para redução dos preços da carne no mercado nacional. 

A proposta do candidato foi de reduzir as exportações de carne para abastecer mais o mercado interno e com isso aumentar a oferta e reduzir os preços. 

Fiz uma pesquisa entre os candidatos a governo e senado, e percebi que essa ideia é ventilada não somente pelo candidato do PT como outros candidatos a governadores e senado de estados líderes em exportação de carne e grãos como Mato Grosso do Sul.

Os candidatos misturam a excelente produção do agronegócio brasileiro com a fome no Brasil, e essa mistura faz com que alguns candidatos, artista, jornalistas e até especialistas em segurança alimentar realizem análises errôneas que levam a propostas equivocadas.

A economia é muito simples, e as explicações estão no comportamento que produtores, consumidores e a toda dinâmica produtiva realiza a incentivos ou desincentivos. 

Nesse caso, o candidato quer desincentivar as exportações de forma artificial, ou seja, “a canetada”, desiquilibrando o mercado exportador e produtor. Os efeitos dessa equivocada ideia são:

  1. Desincentivo a produção: os produtores que exportam mantem no curto prazo sua produção, mas no médio prazo reduz seus investimentos, produção e expansão dos negócios;
  2. Aumento de preços internamente: no primeiro momento, os preços diminuem com a maior oferta do produto, e no segundo momento (médio prazo) os preços se elevam com a menor produção e consequentemente menor oferta;
  3. Redução da renda e emprego: com a redução dos investimentos e menor produção a renda das pessoas na cadeia produtiva diminui e aumenta o desemprego;
  4. Quebra de contratos internacionais: a mudança nas regras do livre mercado cria uma insegurança jurídica e repele investimentos internacionais e contratos futuros;
  5. Aumento da fome: com redução dos investimentos, emprego e principalmente a renda, a fome aumenta e as pessoas perdem poder de compra.

Esse tipo de estratégia já foi testada em outros países, e tivemos no ano passado a Argentina realizando a mesma ideia, que apresentou resultado que estamos descrevendo. 

A economia é igual em todo lugar do mundo, na Argentina, destacando que o país chegou a ter uma queda de preços no primeiro momento, os produtos começaram a faltar na prateleira dos supermercados e depois tivemos o aumento de preços, hoje é um dos países com maior inflação no mundo, e já trocaram 3 vezes o ministro da economia. 

Estamos com alta demanda de alimentos pela Europa e China que ainda não conseguiram aumentar sua produção parada durante a pandemia. Esse é um efeito positivo para o Brasil, elevando nossa economia e permitindo está crescendo num período de desaceleração global.

A fome no Brasil aumentou por causa da pandemia, empresas fecharam, empregos sumiram e ainda estamos recuperando a dinâmica econômica, a abertura de mercados e o aumento da produtividade. 

A economia agrícola dá saltos de aumento de produtividade, investimento em tecnologia, investimentos e sustentabilidade, gerando emprego, renda e liderança global de alimentos e energia. 

Com aumentos de produtividade, teremos mais renda, tecnologia e a redução da fome é consequência. 

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