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Educação e realidade digital

O fato é que o mundo digital é uma realidade que se impôs

Prof. Dr. Valmor Bolan - Valmor Bolan é doutor em Sociologia - Professor da Unisa.

Uma das tendências durante e depois da pandemia foi a das escolas buscarem se adaptar à realidade digital, para melhor atender às exigências atuais, que requerem troca de conhecimento com maior precisão e velocidade. 

As tecnologias da comunicação, aprimoradas nesse sentido, permitem uma maior riqueza na interação da informação e do conhecimento, sendo um fator importante, o qual contribui para a melhor qualidade na educação e em todos os campos da vida social. 

O fato é que o mundo digital é uma realidade que se impôs. As redes sociais têm hoje uma abrangência global, por isso é preciso que os educadores saibam lidar com as ferramentas existentes, procurando assim garantir aos alunos maior acessibilidade ao conhecimento e melhor compreensão e discernimento de todo o conteúdo disponível. 

Especialistas do mundo todo estudam o fenômeno e buscam uma reflexão sobre o impacto da realidade digital em nosso tempo.  

Roger Chartier é um deles. Ele é professor emérito do Collège de France, diretor de estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS e Doutor Honoris Causa pela Universidade Carlos III de Madri. 

Para ele, “a cultura digital liberta-se das imposições da cultura impressa com novos formatos multimídia, por exemplo. O som, a imagem, a escrita e a música são combinados no mundo digital de tal forma que constituem uma prática cultural nova, estética. Mas, na vida cotidiana, o que importa é a circulação de ideias, conhecimentos, opiniões, informações verdadeiras ou falsas. O tecido cultural na sociedade digital exige leitura e escrita, mas a palavra escritor ainda evoca a produção intelectual, estética, científica. E é aí que se evidenciam as contradições do momento que vivemos”. 

Isso requer que os educadores estejam abertos para compreender a realidade digital, suas potencialidades, para que obtenham melhores resultados no exercício da atividade docente.  

Precisamos saber lidar com estas novas ferramentas para tornar o tecido cultural mais pujante, em que cada pessoa tenha oportunidade de dar a sua contribuição, com os meios que permitam uma melhor expressão do conhecimento, da arte, da cultura em geral. 

O mundo digital, com todas as técnicas, cada vez mais sofisticadas, pode contribuir para melhor aprimoramento das capacidades humanas, desde que a tecnologia seja um meio, e não um fim. Havendo o equilíbrio entre o potencial técnico e humano, a educação poderá continuar com a sua missão civilizadora. 

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