Opinião

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Alemanha é que é a vítima da maldição do 7 a 1

Após a implacável goleada do Mineirão, alemães não venceram mais em noventa minutos em Copas

Issel Chaia

27/11/2022 - 00h05

A necessidade de a Alemanha vencer a Espanha, para não ser eliminada, contrasta com a fama cultivada depois do 7 a 1, de que o país produziu sua grande reconstrução após cair na primeira fase da Eurocopa 2000.

Naquela Euro, os alemães ficaram em último lugar numa chave com Portugal, Romênia e Inglaterra. Tem até livro publicado sobre a grande reforma, cujo título é "Das Reboot" (A Reinicialização).

Explica passo a passo o processo de renascimento da seleção alemã. E, no entanto, depois do título mundial de 2014, a Alemanha foi desclassificada na fase de grupos de Copa do Mundo de 2018. Nunca havia acontecido.

Depois do 7 a 1, jogaram cinco partidas em Copas: perderam do México, Coreia do Sul e Japão, ganharam da Argentina a final do Maracanã, na prorrogação, e da Suécia, na Rússia, com gol de falta de Toni Kroos no minuto 95.

Ou seja, depois da implacável goleada do Mineirão, não venceram mais em noventa minutos em Copas.

O técnico Joachim Löw, o décimo em cem anos de seleção alemã, saiu depois da eliminação nas oitavas-de-final da Eurocopa, contra a Inglaterra. Mas a demissão foi decidida oito meses antes, após perder por 6 a 0 para a Espanha, no jogo que a tirou da Liga das Nações.

O 7 a 1 representou o declínio do Brasil, mas o aspecto emocional foi tão importante para aquele resultado quanto o técnico. A seleção não estava bem e Felipão tomou decisões erradas, como a escalação de Bernard, contra a vontade de seus observadores. O time tinha todo o peso sobre um jovem craque de 22 anos, que deveria ser parte de uma equipe experiente e virou a única referência, depois de Adriano Imperador e Ronaldinho Gaúcho desistirem da carreira de alto nível.

Kaká estava machucado e Robinho cometeu o crime hediondo, pelo qual foi condenado, 17 meses antes do Mundial.

O normal seria os alemães ganharem no Mineirão. O placar de 3 a 1 refletiria aquele momento. O 7 a 1 foi a soma de tudo o que está descrito acima e das ausências do craque do time, por lesão, e do capitão Thiago Silva, por suspensão.

O 7 a 1 não é o símbolo de que tudo estava perfeito em Berlim, nem destruído aqui. A atual crise da Alemanha é também reflexo do equilíbrio entre as seleções.

O que não exclui o contraste entre ter sido apontada como símbolo da modernidade, em 2014, e colecionar apenas desgostos depois.

Antes do "Reboot", a grande desonra alemã havia acontecido na Eurocopa de 1984, eliminação na primeira fase, num jogo contra a Espanha, adversária de hoje. Dirigida por Jupp Derwall, ex-assistente de Helmut Schoen na Copa de 1974 -qualquer semelhança com Hansi Flick não é coincidência-, a Alemanha tinha uma crise com um de seus craques, Bernd Schuster.

Tão brilhante quanto arrogante, Schuster recusou-se a jogar pela seleção depois de levar bronca de Derwall por não ir à festa de aniversário de Hansi Muller e afirmar publicamente: "Não gosto de Hansi".

Derwall telefonou para Schuster, deu-lhe uma bronca em duzentas palavras e percebeu o telefone ficar mudo do outro lado da linha. Schuster simplesmente desligou.

A esposa de Schuster declarou que Derwall ligou para sua casa e estava bêbado. A história, contada no livro "Tor" (Gol), do jornalista alemão Ulrich Hesse, termina com a derrota da Alemanha por 1 a 0 para a Espanha e a eliminação na fase de grupos da Euro 1984. Derwall foi demitido na semana seguinte.

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