Opinião

MICHEL CONSTANTINO

Temos que estimular a criação de riquezas

Confira a coluna de Michel Constantino desta terça-feira, 6 de dezembro

Ana Clara Santos

06/12/2022 - 00h05

As notícias sobre as decisões da gestão do Brasil para os próximos 4 anos são repetições de governo a governo, percebemos que o foco é no aumento dos gastos e crescimento via intervenção governamental.

O papel do estado é realmente usar os recursos que recebe dos impostos para investir em educação, segurança e saúde. Essa ideia foi extrapolada para gastos em todo tipo de negócio, até comprar empresa ou montar empresa para competir no mercado, como é o caso da UFN3 em Três Lagoas – MS. (Projeto de indústria de fertilizantes que não saiu do papel e deu prejuízo bilionário).

A razão de se importar com a forma de gastar os recursos públicos, é que a relação gasto com PIB alto provoca pobreza ao país, e a faixa da população mais impactada são as de renda mais baixa.

E isso ocorre pelo motivo de, para aumentar gastos, o governo vende títulos, coloca mais dinheiro no mercado e desiquilibra a oferta da moeda. Os efeitos disso em médio prazo é mais inflação, e no curto prazo mais pagamento de juros da dívida.

A expressão não existe almoço grátis é real, o orçamento é como uma pizza, se você coloca a maior fatia para pagar juros, vai faltar fatia para pagar as contas essenciais de investimento em educação, segurança e saúde.

Qual a relação disso com a criação de riqueza? É bem simples, se o país não cresce, ou seja, não aumenta sua riqueza, como vamos aumentar a arrecadação, as oportunidades para as pessoas, os investimentos em inovação e os empregos?

Países desenvolvidos criam primeiro políticas para crescer, facilitar negócios, atrair investimentos e com esse plano de riqueza, traça seus planos sociais de melhoria da qualidade de vida.

Uma análise recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento constatou que 54 países em desenvolvimento identificados com sérios problemas de endividamento respondem por pouco mais de 3% do PIB global, mas mais da metade dos 600 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema ao redor do mundo.

Um resultado, segundo o Banco Mundial, é que o objetivo global de acabar com a pobreza extrema até o fim da década está agora efetivamente fora de alcance.

Muitos países agora estão gastando muito mais com o serviço da dívida do que com saúde, educação e outros serviços importantes.

Segundo o FMI, as economias de renda média gastaram cerca de 41% de todas as suas receitas tributárias para honrar o serviço de suas dívidas em 2021, número que foi de 33% em 2013. Nas economias de baixa renda, o serviço da dívida consumiu uma média de 28% das receitas, um aumento de mais de duas vezes. O governo dos EUA gasta cerca de 8% de sua receita para pagar os juros de sua dívida.

Temos que criar riquezas.


 

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