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Lula e os desafios da comunicação em 2023

O grosso da população se informava por rádio, TV, jornal e uma incipiente internet sem ainda o advento das redes sociais e com portais e blogs com alcance limitado

Cauê Reis

30/01/2023 - 07h30

Com pouco menos de um mês de empossados, é impossível cobrar e analisar com profundidade a gestão dos 27 governadores e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Excetuando, claro, os gestores que se reelegeram, pois se trata de continuidade.

Entretanto, já podemos aferir alguns caminhos trilhados nesses dias. A comunicação é um exemplo.

Tendo como estudo a gestão do governo federal pela abrangência e também por se tratar de um caso único de um governante que já ocupou o cargo por dois mandatos e cujo antecessor e seu projeto é antítese do seu, podemos ver a terceira administração de Lula ainda ajustando os ponteiros.

Acredito que dois pontos contribuem para essa situação (além do pouco tempo de gestão, claro). O primeiro é o parâmetro. O petista governou o País em seus dois primeiros mandatos de 2003 a 2010 com uma outra realidade da era da comunicação. As mídias tradicionais eram bem mais fortes e com penetração do que hoje.

O grosso da população se informava por rádio, TV, jornal e uma incipiente internet sem ainda o advento das redes sociais e com portais e blogs com alcance limitado.

Para se ter uma ideia, a rede social mais popular da época era o Orkut, fundado em 2004. O Twitter surgiu em 2008, e o Facebook se popularizou apenas no fim do governo Lula, em 2009/2010. Nem sequer se sonhava com WhatsApp e TikTok. Portanto, ele e sua entourage ainda se adaptam a essa realidade.

Outra questão vem das fake news e sua alta velocidade de disseminação. Fruto da popularização das redes sociais e de doutrinas políticas criadas mundo afora.

As eleições de Donald Trump nos EUA em 2016 e de Jair Bolsonaro no Brasil em 2018 criaram um outro patamar do uso da comunicação política por meio da internet e de todas as suas ferramentas para propagar suas teorias e mensagem.

Aí valem-se de artifícios de qualquer natureza moral. É um desafio não somente para Lula ou Biden, mas que todos os governos democráticos têm de encarar mais dia ou menos dia.

São situações que podem e em algum momento serão superadas, mas para isso é necessário entender bem o que significa uma comunicação eficaz nos dias de hoje.

E isso inclui, além de questões técnicas, como clareza, rapidez, empatia, identificação e conteúdo de fácil assimilação, também estratégias comunicacionais e políticas, como aumentar capilaridade, regionalizar informações, investimentos em fact-checking e vacinas contra as fake news.

É misturar McLuhan com Maquiavel.

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