O uso de tecnologias no ensino, por parte de professores e alunos, traz não apenas novas possibilidades em sala de aula e novas propostas pedagógicas como também muitos debates para entender até que ponto a tecnologia pode ser benéfica para o aprendizado.
No início dos anos 2000, debatia-se, amplamente, se o uso da internet em salas de aula seria benéfico. Seriam as informações encontradas na rede confiáveis?
Ou teriam um caráter acadêmico? No início da década de 2010, o debate era sobre a popularização dos smartphones e como esses dispositivos poderiam ser distratores no ambiente escolar. Na primeira metade da década de 2020, discutimos a inteligência artificial (IA).
Hoje, percebe-se que a internet não apenas auxiliou professores e alunos, mas também foi a base do ensino durante a pandemia de Covid-19, quando fomos obrigados a aprender e ensinar por meio da rede. Em um grande número de colégios, a rede é encontrada em todas as salas de aula.
Para os estudantes, é uma ferramenta utilizada como plataforma de ensino, meio de pesquisa e até uma nova forma de comunicação com colegas e professores. O uso da rede global de computadores dentro das escolas já é um consenso.
Seguindo a evolução tecnológica, chegamos aos smartphones, telefones com acesso à internet. Acredito que tais dispositivos têm o potencial de serem utilizados em sala de aula como facilitadores.
Porém, o mesmo aparelho que apresenta em segundos os resultados de uma pesquisa ou faz um cálculo matemático traz o acesso a jogos, mídias sociais e inúmeras outras funções que tornam-se distratores dentro de sala de aula.
Sendo assim, o uso de smartphones nesse espaço acaba por não formar uma unanimidade entre os profissionais da educação.
Hoje, discute-se uma tecnologia que é diferente das citadas acima. Falamos sobre a inteligência artificial, a qual, diferentemente dos smartphones e da internet, tem uma capacidade de criação antes encontrada apenas no cérebro humano.
Não apenas discutimos uma tecnologia que facilita o acesso dos estudantes e dos professores à informação, mas uma inteligência capaz de criar textos, imagens e até mesmo respostas prontas, trabalhos discursivos inteiros e ainda explicar satisfatoriamente o motivo de uma resposta ter sido escolhida como correta.
A inteligência artificial como novo membro da sala de aula traz, inicialmente, os mesmos debates que as outras tecnologias. Questiona-se até que ponto a IA é uma facilitadora ou um problema dentro das escolas.
A falta de concordância sobre o uso da IA em salas de aula é provada quando percebemos que escolas, como as do estado de Queensland, Austrália, proíbem o uso de uma das IAs mais populares atualmente, o ChatGPT.
Ainda na Austrália, as universidades Flinders University, University of Adelaide e University of South Australia tomaram decisões diferentes, permitindo o uso da IA, desde que seja declarado. Ou seja, em uma mesma nação, encontramos divergências em relação ao uso de tal tecnologia.
Como professor, sou a favor de todas as tecnologias que possam auxiliar o aprendizado, facilitando o acesso à informação. Deve-se, antes, compreender de que forma a IA pode auxiliar o professor e seus alunos e quais as suas vantagens pedagógicas.
Porém, penso que é dever da escola e dos educadores garantirem que todo tipo de tecnologia possa ser utilizada de maneira correta.
A internet como ferramenta escolar é um consenso, os smartphones não. Já a IA ainda levanta debates sobre de que modo seu conhecimento pode auxiliar os alunos ou se pode acostumá-los a apenas digitar para ter uma resposta.
O meu receio, assim como dos educadores em geral, é o da criação de uma geração de alunos sem capacidade de síntese e sem senso crítico.
Sinto que a internet é uma “nova Barsa”, trazendo todos os tipos de conhecimento condensados em uma só rede, de modo que a enciclopédia, antes encontrada apenas em folhas de papel, pode agora ser acessada com o toque de alguns botões.
As capacidades de pesquisa e de síntese da IA são inegáveis e trazem não apenas os dados condensados na rede, mas interpretados em respostas lógicas. Resta saber de que modo essas capacidades podem fazer com que os alunos aprendam ou se podem prejudicá-los por não precisarem mais desenvolver as habilidades que a IA agora traz.